Archive for outubro \31\UTC 2009

CONTEXTUALISMO

outubro 31, 2009

Contextualismo é uma teoria epistemológica que goza de razoável aceitação entre os teóricos da filosofia do conhecimento contemporânea, tem como tese principal a afirmação que conhecimento depende do contexto. Logo, os critérios para conhecimento e justificação são contextuais e irão variar em força. De maneira que o contexto irá determinar qual padrão para conhecimento está correto. O conhecimento nesta perspectiva depende do atribuidor. Assim, nos deparamos com dois tipos de contextos: o contexto do sujeito e do atribuidor.

Esta posição apresenta-se como uma saída contra os argumentos céticos, já que o sujeito terá conhecimento de acordo com as exigências do contexto. Deste modo, em um contexto popular conhecimento é plenamente certo e já em um contexto cético os critérios para justificação e conhecimento são demasiado elevados, impossibilitando o sujeito saber que p.

Ainda que esta proposta seja uma resposta às hipóteses céticas, cremos que há teses nos argumentos céticos que tanto precisam como são dignas de refutação e não é isso que o contextualismo tem em mente com sua resposta ao ceticismo. Parece que as premissas do argumento cético não são dignas de observação.

Outra crítica que tem sido sustentada contra a visão contextualista é que ela mascara um relativismo. Além de que, a epistemologia, conforme Klein possui um caráter normativo para a análise do conceito de conhecimento, enquanto a teoria contextualista aparece como um modo de ver a análise de conhecimento de uma forma essencialmente descritiva.

Esta teoria tem sido discutida amplamente e cada um de seus teóricos tem seu modo peculiar de apresentar-la. Objetivou-se aqui, propor uma visão geral da teoria para a partir daí incentivar o interesse pela mesma, seja para afirmar ou negar a mesma.

Referências

COHEN, S. Contextualism, Skepticism and Structure of Reasons. In: TOMBERLAIN, James e. Philosophical Perspestives 13, Epistemology. Cambridge: Blackwell Publishers, 1999.

DRETSKE, F. Epistemic Operators. The Journal of Philosophy, Vol. 76, 1970, 1007-10023.

KLEIN, P. Concept of Knowledge. In: CRAIG, Edward (Ed.). Routledge Encyclopedia of Philosophy.London/New York: Routledge, 1998. p. 266-276. V.5.

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CETICISMO E PRINCÍPIOS EPISTÊMICOS

outubro 25, 2009

O texto a seguir é um conjunto de excertos extraídos do texto apresentado no I Encontro de Pesquisa em Filosofia da UFC.

O cético nos dá a seguinte questão: se alguém sabe que p[1] e sabe que p implica q[2] então esta pessoa sabe q. Se utilizará, primeiramente, a versão positiva do princípio de fechamento, que é uma adequação do modus ponens[3], a fim de que deste modo facilite a compreensão do leitor, mas se deve ficar ciente desde já que a versão utilizada como premissa pelo cético é a negativa[4], logo é uma adequação do modus tollens[5]. Para melhor exame deste princípio o transportaremos para uma linguagem mais formal[6], como se segue:

Ksp & Ks (p→q) →Ksq[7]

O termo princípio de fechamento significa exatamente o que foi visto acima, que conhecimento está fechado sob a implicação (p→q), de modo que através da negação do conseqüente indiscutivelmente negar-se-á o antecedente.

Este princípio pode se apresentar, primeiramente, como algo aceitável para a atribuição de conhecimento, pois se sabemos qualquer proposição é razoável que saibamos suas contrárias; por exemplo, se eu sei que há pessoas ao meu redor eu sei que não estou cercado por dinossauros. Mas, o argumento cético é muito mais forte em requerer que se saiba que não se está sendo enganado, digamos por um gênio maligno.

Partindo do ponto que conhecimento é crença verdadeira justificada[8], o cético antes de nos mostrar que não conhecemos nenhuma proposição mundana deve nos convencer que nossas crenças não são justificadas. O princípio de fechamento para justificação[9] segue a mesma forma do para conhecimento:

JBsp & JBs (p→q) → JBsq[10]

Alguém poderia perguntar ao cético por que não estamos justificados nas proposições que são contrárias lógicas, neste momento ele faria uso do princípio de transferência de evidência. O princípio afirma: se você tem evidência que o justifique em crer que p, e p implica q, então você tem evidência em crer que q. Semelhantemente aos princípios já vistos,este último se apresenta de uma forma análoga:

eBsp & eBs (p→q) → eBsq[11]

Referências

DANCY, J. Introducción a la Epistemología Contemporánea. Ed. Tecnos, 1993.

KLEIN, P. D. Concept of Knowledge. In: Routledge Encyclopedia of Philosophy.London; New York: Routledge, 1998. CD-ROM, version 1.0.


[1] Entenda-se aqui p como qualquer proposição mundana.

[2] Entenda-se aqui q como sendo qualquer contrária lógica para p.

[3] P→Q

Q

––––––

P

[4] Essas versões foram propostas pelo Prof.Emerson Valcarenghi e são utilizadas aqui, devido sua plausibilidade. Tendo em vista isso, os teóricos sempre trabalharam com a forma positiva do princípio de fechamento tanto para negá-lo como para refutar o argumento cético sem desconsiderar o princípio.

[5] P→Q

~Q

––––––

~P

[6] Aqui se adotará a forma proposta pelo Dancy, mas Peter Klein mostra uma forma mais forte do mesmo princípio que é a seguinte: Ksp (p→q) →Ksq

[7] Ksp ou Ksp deve ser lido: o sujeito sabe que p ou que q. Esta é a nomenclatura que será utilizada neste trabalho.

[8] Gettier através de dois contra-exemplos questionou a suficiência da definição tripartite de conhecimento, mas não sua necessidade.

[9] Klein em seu artigo da Routledge Encyclopedia of Philosophy usa somente o princípio de fechamento na sua versão para justificação.

[10] JBsp ou JBsq dever ser lido:o sujeito está justificado na crença de que p ou q

[11] Lê-se o sujeito tem evidência para crer que.

FUNDACIONISMO EPISTÊMICO

outubro 16, 2009

A teoria fundacionista é uma teoria muito tradicional na epistemologia e que se ocupa em fazer uma descrição da justificação. Esta corrente afirma que existem crenças fundacionais e que estas são justificadas em si mesmas e a partir delas todas as outras crenças devem ser justificadas. Na visão de Lehrer, o fundacionismo prega que há algumas coisas que estamos completamente justificados em aceitar sem argumentos.

As condições para uma crença ser básica são: a) que ela seja auto-justificada e b) que todas as crenças justificadas dependem da auto-justificação das crenças básicas. Um exemplo de crença básica, que inclusive poderia ser dado por um empirista, é “eu vejo alguma coisa móvel”.

Uma das críticas que se faz a este tipo de proposição é que são muito fracas para dar apoio à gama de coisas que nós,pelo menos, aparentemente conhecemos. Além de outras objeções como: as crenças básicas são arbitrárias, já que se o fundacionista tentar explicar porque uma determinada crença é básica ela deixará de ser o que ele quer que ela seja.

Temos plena consciência que a teoria passou por várias modificações e há distinções entre tipos de fundacionismo, mas o objetivo aqui é explanar traços gerais da teoria e a partir daí servir como porta de entrada para uma série de discussões.

ANULABILISMO: UMA RESPOSTA AOS CONTRA-EXEMPLOS DE GETTIER?

outubro 4, 2009

Gettier através de dois contra-exemplos, mostrados em um artigo de três páginas, colocou em dúvida a suficiência da definição tripartite de conhecimento, que afirma que para o sujeito saber que p, este tem que ter crença verdadeira justificada. Logo abaixo será mostrado um caso de tipo Gettier:

Caso da maternidade. Uma enfermeira encontra-se no berçário da maternidade e tem diante de si dois bebês recém-nascidos, sendo que ela esteve presente em ambos os partos e os bebês são bastante parecidos. Ela olha para o bebê à sua esquerda e crer que está olhando para o filho de Marta, e de fato aquele é o filho de Marta e não de Maria, mas o que ela não sabe é que ocorreu um erro ao colocar os nomes das mães nas pulseiras que os bebês estavam usando e na verdade o filho de Marta está como se fosse de Maria e vice-versa.

Neste caso temos um exemplo de um sujeito que tem crença verdadeira justificada, mas a acidentalidade não deixou de fazer parte de sua crença, portanto o sujeito não tem conhecimento. Para resolver este problema surgiram várias teorias e dentre elas o anulabilismo que propõe uma quarta condição relacionada a justificação para o sujeito saber que p.
A teoria anulabilista apregoa que o sujeito não tem conhecimento nos casos de Gettier, porque existe uma proposição verdadeira que se passasse a fazer parte do seu conjunto de crenças, esta destruiria sua justificação. Sendo assim, o sujeito tem conhecimento quando sua justificação não for anulável. Em outras palavras, quando não exista uma verdade que ao ser crida não leve a justificação por água abaixo.
Esta é uma proposta muito forte, pois reputa casos de conhecimento como se fossem de ignorância. Veja os casos abaixo:

Caso dos irmãos Grabit. Digamos que eu tenha um amigo chamado Tom Grabit e vejo alguém que parece ser Tom roubando um livro da livraria: eu até chego a acreditar que Tom roubou um livro daquele estabelecimento. Tom de fato roubou o livro. Porém, eu não sei que Tom tem um irmão gêmeo idêntico, John, que é um ladrão e estava na livraria no dia em questão e roubou uma cópia do mesmo livro, só que este estava no banheiro enquanto eu via Tom roubando o livro.

Caso da louca senhora Grabit. Suponha que o caso acima de fato ocorreu com a exceção que Tom não tem um irmão gêmeo, mas que a mãe de Tom, que tem alucinações, admitiu as alegações acerca de John.

O anulabilismo parece resolver satisfatoriamente o primeiro caso, pois se eu passasse a acreditar na proposição que Tom tinha um irmão gêmeo minha justificação seria anulada. No entanto, no segundo caso ao acreditar na proposição que a mãe de Tom ter dito que ele tinha um irmão gêmeo idêntico, John; eu perderia justificação, mas se a mãe de Tom fosse tida como louca e nunca tivesse havido um gêmeo, parece que eu teria sabido o tempo todo que Tom havia roubado o livro.

Referências
DANCY, J. Introducción a la Epistemología Contemporánea. Ed. Tecnos, 1993.
GETTIER, Edmund. Is Justified True Belief Knowledge? Analysis 23, n. 6, 1963, pp 121-123. Reimpresso em MOSER, Paul. Empirical Knowledge – Readings in Contemporary Epistemology. Lanhan: Rowman & Littlefield. 2. ed., 1996.
KLEIN, P. D. Concept of Knowledge. In: Routledge Encyclopedia of Philosophy.London; New York: Routledge, 1998. CD-ROM, version 1.0.

Hello world!

outubro 4, 2009

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