CETICISMO E PRINCÍPIOS EPISTÊMICOS

O texto a seguir é um conjunto de excertos extraídos do texto apresentado no I Encontro de Pesquisa em Filosofia da UFC.

O cético nos dá a seguinte questão: se alguém sabe que p[1] e sabe que p implica q[2] então esta pessoa sabe q. Se utilizará, primeiramente, a versão positiva do princípio de fechamento, que é uma adequação do modus ponens[3], a fim de que deste modo facilite a compreensão do leitor, mas se deve ficar ciente desde já que a versão utilizada como premissa pelo cético é a negativa[4], logo é uma adequação do modus tollens[5]. Para melhor exame deste princípio o transportaremos para uma linguagem mais formal[6], como se segue:

Ksp & Ks (p→q) →Ksq[7]

O termo princípio de fechamento significa exatamente o que foi visto acima, que conhecimento está fechado sob a implicação (p→q), de modo que através da negação do conseqüente indiscutivelmente negar-se-á o antecedente.

Este princípio pode se apresentar, primeiramente, como algo aceitável para a atribuição de conhecimento, pois se sabemos qualquer proposição é razoável que saibamos suas contrárias; por exemplo, se eu sei que há pessoas ao meu redor eu sei que não estou cercado por dinossauros. Mas, o argumento cético é muito mais forte em requerer que se saiba que não se está sendo enganado, digamos por um gênio maligno.

Partindo do ponto que conhecimento é crença verdadeira justificada[8], o cético antes de nos mostrar que não conhecemos nenhuma proposição mundana deve nos convencer que nossas crenças não são justificadas. O princípio de fechamento para justificação[9] segue a mesma forma do para conhecimento:

JBsp & JBs (p→q) → JBsq[10]

Alguém poderia perguntar ao cético por que não estamos justificados nas proposições que são contrárias lógicas, neste momento ele faria uso do princípio de transferência de evidência. O princípio afirma: se você tem evidência que o justifique em crer que p, e p implica q, então você tem evidência em crer que q. Semelhantemente aos princípios já vistos,este último se apresenta de uma forma análoga:

eBsp & eBs (p→q) → eBsq[11]

Referências

DANCY, J. Introducción a la Epistemología Contemporánea. Ed. Tecnos, 1993.

KLEIN, P. D. Concept of Knowledge. In: Routledge Encyclopedia of Philosophy.London; New York: Routledge, 1998. CD-ROM, version 1.0.


[1] Entenda-se aqui p como qualquer proposição mundana.

[2] Entenda-se aqui q como sendo qualquer contrária lógica para p.

[3] P→Q

Q

––––––

P

[4] Essas versões foram propostas pelo Prof.Emerson Valcarenghi e são utilizadas aqui, devido sua plausibilidade. Tendo em vista isso, os teóricos sempre trabalharam com a forma positiva do princípio de fechamento tanto para negá-lo como para refutar o argumento cético sem desconsiderar o princípio.

[5] P→Q

~Q

––––––

~P

[6] Aqui se adotará a forma proposta pelo Dancy, mas Peter Klein mostra uma forma mais forte do mesmo princípio que é a seguinte: Ksp (p→q) →Ksq

[7] Ksp ou Ksp deve ser lido: o sujeito sabe que p ou que q. Esta é a nomenclatura que será utilizada neste trabalho.

[8] Gettier através de dois contra-exemplos questionou a suficiência da definição tripartite de conhecimento, mas não sua necessidade.

[9] Klein em seu artigo da Routledge Encyclopedia of Philosophy usa somente o princípio de fechamento na sua versão para justificação.

[10] JBsp ou JBsq dever ser lido:o sujeito está justificado na crença de que p ou q

[11] Lê-se o sujeito tem evidência para crer que.

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Uma resposta to “CETICISMO E PRINCÍPIOS EPISTÊMICOS”

  1. Elano Says:

    Problemas com a visualização é só me contactar.

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