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ELIMINATIVISMO

novembro 28, 2009

Os teóricos que apóiam esta teoria, afirmam que crenças são meros estados mentais. Chegando a fazer a previsão que um dia a ciência atestará que a concepção de crença tal qual possuímos, não existe e que um dia, uma nova teoria científica fornecerá um vocabulário adequado e que expresse novas noções cognitivas que substituam a noção de crença.

A partir desta nova teoria, a epistemologia passaria a ser substituída pelas neurociências ou seria um ramo das mesmas. Passando a epistemologia a fazer apelo, não a noção de crenças, mas de estados neurológicos.

Alguns têm tentando encontrar uma auto-contradição na teoria, pois ela afirma que não existem crenças, mas, no entanto crê que a ciência comprovará sua proposta. Uma possível resposta a essa objeção, por parte dos eliminativistas, seria que eles apenas prevêem.

Um dos problemas com esta teoria é a questão de como definir quando uma teoria pode tomar por completo o lugar da outra, como propõem os que defendem tal idéia. Sem falar que as previsões feitas por estas teorias não foram de modo algum confirmadas pela ciência.

Talvez o aspecto mais problemático da teoria seja que ela está baseada no futuro da ciência. Este futuro é completamente incerto, além de que as descobertas da ciência não têm apontado para a proposta eliminativista.

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COERENTISMO EPISTÊMICO

novembro 27, 2009

O coerentismo tem duas vertentes: a primeira diz respeito à justificação e a outra a verdade. Neste texto nos debruçaremos sobre a primeira vertente, que é denominada de coerentismo epistêmico. Vale também ressaltar que existem vários tipos de coerentismo,e cada autor tem sua forma peculiar de tratamento da teoria. Tentar-se-á aqui abordar o tema de uma forma ampla para que não se comprometa as diversas abordagens que os teóricos dão ao coerentismo.

Para os teóricos coerentistas o justificador é um sistema de crenças, onde essas crenças estão em relação de coerência. Ou ainda, o sistema de crenças deve funcionar de forma que haja uma mútua implicação entre as crenças. De modo que uma crença deve exigir a outra quando a verdade da primeira é garantida pela verdade da segunda.

Para ilustrar esta teoria tomemos um exemplo já mostrado aqui:

Todo universitário sabe ler

Charles é universitário

Destas duas proposições acarreta-se que:

Charles sabe ler

Entre essas proposições há uma relação de coerência, de forma que há uma implicação entre elas. De fato, parece que em nosso cotidiano as crenças que utilizamos estão em determinada relação de coerência com outras.

Em suma, o que os coerentistas propõem é que a justificação de qualquer crença depende das relações de coerência dessa crença com outras crenças. Nota-se que o coerentismo na sua abordagem da justificação não leva em conta o processo de formação de crença.

TEORIA CAUSAL

novembro 26, 2009

É uma teoria que foi formulada com a finalidade de tentar estabelecer um vínculo entre a verdade e a crença. De modo que, esta teoria não exige justificação para conhecimento. A teoria afirma que há conhecimento quando a crença do sujeito em p é causada pelo fato de que p.

Muitos problemas tendo sido encontrados nesta teoria. Um deles é que ela elimina a possibilidade de conhecimento futuro, ao que isso é totalmente contra-intuitivo, pois nos parece que sabemos proposições como “iremos morrer daqui a 200 anos”.

Outro problema é que nós não teríamos conhecimento de proposições universais tais como “Todos os homens são mortais”. Ainda que existisse um ser que observasse a morte de todos os homens, ele jamais poderia formar tal crença. A crença que este ser formaria era: o homem 1 é mortal, o homem 2 é mortal… Jamais ele se depararia com o fato que todos os homens são mortais, e, portanto não teria conhecimento da proposição em questão.

Robert Nozick apontou que segundo esta teoria também seria impossível o conhecimento matemático e o conhecimento ético. Ainda que, a sua teoria condicional do conhecimento possa ter elementos da teoria causal.

Nas discussões do grupo de estudos em epistemologia, o professor Emerson assinalou que a ligação direta entre o fato e a crença que os teóricos causalistas querem propor parece não existir, pois o que causa a crença não é o fato, mas a percepção que o sujeito tem do mesmo.

JUSTIFICAÇÃO

novembro 25, 2009

Desde a definição tradicional de conhecimento tem-se proposto que não basta ter somente crença verdadeira, é necessário ter justificação. Justificação é apresentar pistas que sejam suficientes para atestar a verdade da sua crença. Assim, mesmo crenças verdadeiras precisam de justificação. Alguns teóricos da epistemologia contemporânea têm apresentado a proposta que justificação não é necessária para conhecimento. A proposta destes filósofos será analisada em maiores detalhes em outros textos.

A justificação pode-se dividir em dois tipos: justificação dedutiva e justificação indutiva. A justificação dedutiva ocorre quando a proposição justificadora acarreta o que ela justifica. Temos o seguinte exemplo:

Todo universitário sabe ler

Charles é universitário

Destas duas proposições acarreta-se que:

Charles saber ler

De modo que é impossível que as duas primeiras proposições sejam verdadeiras e a última seja falsa. Mesmo assim, alguns filósofos têm discordado dessa conclusão afirmando que se a proposição justificadora for verdadeira não necessariamente a proposição justificada o será.

Já a justificação indutiva é justamente o contrário da justificação dedutiva. De forma que se a proposição justificadora for verdadeira provavelmente a justificada o será. Levando-se em conta que a verdade não é uma condição necessária para justificação de uma proposição.

Para concluir, vale a pena destacar que o justificador é sempre um fator interno ao agente, sendo que se ele é suficiente ou não para justificação é o que vai gerar a controvérsia entre internalismo e externalismo.

ATRIBUIÇÃO DE CRENÇAS

novembro 24, 2009

Deve-se deixar bem claro que atribuir uma crença não se quer dizer, necessariamente, que a pessoa tenha essa crença. Assim, se atribuirmos a crença à uma criança que ela está sentada numa cadeira, não estamos querendo dizer com isso que ela saiba o que é uma cadeira ou mesmo que tenha esta crença. Da mesma forma funciona quando atribuímos crenças como se fossem verdadeiras, não estamos tentando atestar a verdade das mesmas.

Donald Davidson fazendo uso da atribuição de crenças apontou o Princípio da Caridade como uma saída para o ceticismo. O Princípio da Caridade afirma que devemos atribuir a outros, crenças que em sua maioria são verdadeiras. Deste modo, a proposta cética estaria comprometida, pois o indivíduo teria no seu conjunto de crenças, majoritariamente crenças verdadeiras.

Muitos filósofos propõem que devemos ir pelo caminho inverso, negando assim o Princípio da Caridade. A proposta deles é que devemos atribuir ao sujeito crenças que em sua maioria são falsas.

Deve-se observar também aqui que o Princípio da Caridade não se apresenta como uma boa solução para o ceticismo, pois ainda que nós possamos atribuir crenças ao sujeito que em sua maioria são verdadeiras, isso não elimina a possibilidade que as crenças em questão numa disputa com o cético sejam falsas.

O ARGUMENTO DO ERRO

novembro 20, 2009

Durante os últimos trinta anos, diferentes tipos de argumentos céticos vêm sendo identificados, de modo que todos apontam para a conclusão pela impossibilidade do conhecimento seja de maneira local ou global. Dentre estes argumentos céticos, encontra-se o argumento a partir do erro.

Partindo da constatação que todos nós erramos, pelo menos uma vez na vida, e que na situação na qual estávamos em erro nós não tínhamos reconhecido, naquele momento, que estávamos errados. Assim, nada nos garante que na situação atual também não estejamos errados.

Digamos que certa vez você olhou para algumas taças e afirmou que estava diante de taças de cristais, mas ao chegar mais perto você constatou que as taças que você estava vendo eram de vidro e reconheceu seu equívoco. Daí conclui-se que neste momento você não tem garantia alguma de que está diante de um computador, pois se um dia você cometeu um engano, por que não está cometendo outro neste momento?

Jonathan Dancy ilustra bem esta questão ao afirmar que:

A conclusão parece ser que, se reconheço que alguma vez me enganei ao afirmar que sabia que p, já não posso saber que p, a não ser que mostre alguma diferença relevante entre as duas situações. E ninguém pode dizer ao meu respeito que sei em um caso e não em outro, porque,por tudo o que sei,estou equivocado em ambas as ocasiões.

Desta maneira o ceticismo explora a indistinguibilidade das situações onde ocorrem os erros das que ocorrem os acertos, chegando a conclusão que de modo global não temos conhecimento de qualquer proposição referente ao mundo exterior.

O PROBLEMA DO CRITÉRIO PARTE 2

novembro 16, 2009

Excertos extraídos de texto apresentado VII Congresso Nacional de Filosofia Contemporânea da PUCPR e III Congresso Internacional de Filosofia da Psicanálise com o título O Problema do Critério e Suas Diversas Abordagens.

O problema do critério também pode ser apresentado como um círculo vicioso:

Para saber que nós sabemos, nós devemos ter um método para distinguir crenças boas de más, para saber se nosso método é bom, ele terá que ser bem sucedido, e para determinar seu sucesso nós já temos que saber se as crenças são boas ou más.

Nós só saberemos discernir crenças boas de más se encontrarmos um procedimento que nos permita fazer essa separação. Este procedimento também deve ser questionado para saber se ele é bom. A forma que se tem para saber que um determinado procedimento é bom é atentar para ver se o seu produto foi bem sucedido. Para se ter noção do sucesso do nosso procedimento de antemão já devemos saber o que são crenças boas e o que são crenças más, pois como saberemos que um método é bom ou não se não partirmos destas noções.

A filosofia continental parece que tem tentado afirmar que uma pretensão de conhecimento é verdadeira se for gerada a partir de uma fonte confiável de conhecimento.

Recorrer às fontes de conhecimento como critério não se apresenta como uma boa saída, já que temos que questionar: Como podemos afirmar que tal fonte de conhecimento é confiável? E assim se faz presente novamente o problema do critério, de modo que eu devo buscar um critério para demonstrar que a fonte de conhecimento que estou usando é confiável.

Tendo esclarecido o problema do critério e tendo consciência das dificuldades que estão envolvidas nele, o que se espera é que ele possa servir como instrumento de compreensão para as várias controvérsias presentes na Filosofia.

O PROBLEMA DO CRITÉRIO PARTE 1

novembro 15, 2009

Excertos extraídos de texto apresentado VII Congresso Nacional de Filosofia Contemporânea da PUCPR e III Congresso Internacional de Filosofia da Psicanálise com o título O Problema do Critério e Suas Diversas Abordagens.

Dois pares de perguntas são pertinentes na epistemologia:

1. O que nós conhecemos? Qual é o alcance do nosso conhecimento?

2. Como decidimos se nós conhecemos? Quais são os critérios de conhecimento?

Se você souber responder ao par de perguntas 1, também saberá responder ao par 2 e vice-versa. Assim, se pudermos expor claramente o que conhecemos e até que ponto vai o nosso conhecimento se tornará fácil dar resposta a inquirição acerca de como decidimos que temos conhecimento e quais são os critérios para tal. Como se mostra, parece que quando chegarmos a resposta de um destes pares de perguntas automaticamente seremos capazes de prover solução para o outro par. Como também, se não dispormos de resposta para 1 não estaremos habilitados para responder 2 e vice-versa.

Buscando a solução para estes questionamentos surgem várias propostas que pode-se dividir em dois grupos:os metodistas e o particularistas.Os metodistas são aqueles que pensam ter a resposta para 2.Entre estes estão Jonh Locke e David Hume que afirmam que para ser um caso de conhecimento,este deve ser gerado da relação com os sentidos,para eles a origem do conhecimento está na experiência.Portanto,as pretensões de conhecimento devem satisfazer à critérios empíricos.O problema com esta visão é além do critério ser amplo,se forem aplicados de forma coerente nos levará a conclusão que sabemos pouco a respeito de nós mesmo e do mundo.

Os particularistas são aqueles que pensam ter a resposta para 1. Destacam-se Thomas Reid e G.E.Moore, representantes da teoria do senso comum que advogam que sabemos quase que em totalidade aquelas coisas que o vulgo pensa saber. Afirmam que se temos sensações e que estas nos conduzem a um conhecimento que temos um corpo então sabemos que o nosso corpo é…, deste modo conhecemos os fatos externos. O que se posta contra este ponto é que nossas sensações não são tão confiáveis assim.

Um terceiro modo de abordar a questão é o ceticismo que diz: não temos respostas para nenhum dos pares de perguntas. Assim, não temos como saber o que sabemos e nem como decidir se conhecemos algo.Essa não é uma alternativa muito plausível.

CONFIABILISMO

novembro 5, 2009

Confiabilismo é uma teoria que propõe que uma crença justificada pode ser considerada conhecimento quando é derivada de um método confiável. Assim as fontes das crenças são responsáveis pela justificação das mesmas crenças, de modo que estas fontes conduzem a verdade. Pode ocorrer que uma crença seja formada por um processo confiável, ainda que o agente não saiba dos fatores que dão confiabilidade à crença.

Pode-se utilizar a palavra confiável com várias acepções. A primeira poderia ser confiável tomado como um método apropriado. Assim, este método seguido rigorosamente não levaria o sujeito a ter crença falsa. A grande questão é saber se existe tal método que seja infalível para conhecimento.

Alguém poderia querer amenizar o primeiro sentido em que foi usada a palavra confiável para o sentido em linhas gerais. O problema aqui seria que estaríamos abrindo um precedente ao cético, já que ele nos questionaria como poderíamos basear nossa crença em um método que já falhou alguma vez.

Outra opção seria reputar o método como confiável apenas no instante da formação da crença e assim excluiria as reclamações feitas acima. Mas a questão que se coloca é: Quão genuíno seria um método que vale apenas para um caso particular?

Referências

DANCY, J. Introducción a la Epistemología Contemporánea. Ed. Tecnos, 1993.

MOSER,P.K;MULDER.D.H.;TROUT,J.D.A teoria do conhecimento:uma introdução temática.São Paulo:Martins Fontes,2004.