JUSTIFICAÇÃO PRIMA E ULTIMA FACIE

Justificação deve ser entendida como um arcabouço de evidências que o sujeito utiliza para dar sustentação às suas crenças. Dentre estas evidências pode-se citar a memória, os dados empíricos e as próprias crenças do sujeito.

Justificação prima e ultima facie pode ser entendida em termos de justificação final e inicial. Isto surgiu com a abordagem de Roderick Chisholm, em um de seus artigos que versava sobre ética. Ele dividiu os deveres em deveres prima facie e deveres ultima facie, de modo que os primeiros estavam suscetíveis de sofrer alterações por parte de um anulador e os últimos por não serem suscetíveis dessas alterações, eram obrigações para agir.

O anulador é entendido como algo que está fora da situação inicial e que passando a fazer parte da mesma a modifica. Falando em termos epistêmicos, o anulador é uma verdade que não é atentada numa situação inicial, e ao ser atentada anula a justificação inicial.

Para exemplificar este ponto, suponha que você marca um jantar com um amigo, que tem como marca distintiva a pontualidade. Então, você vai ao jantar acreditando que seu amigo chegará o local pontualmente. Ao chegar ao local do jantar, você recebe a notícia que o filho do seu amigo está enfermo e seu amigo precisou levar ele ao hospital. Com esta nova informação, dificilmente, você continuaria a crer que seu amigo chegará pontualmente ao local do jantar.

Partindo disso, a justificação prima facie é quando a justificação é anulada, ou seja, havia uma verdade fora do conjunto de crenças do sujeito que, ao ser crida anulou sua justificação.

A justificação ultima facie ocorre quando há a restauração da justificação anteriormente anulada. Assim, esta restauração acontece quando há uma verdade, que ao ser crida reforça a justificação prima facie. Com a justificação ultima facie pode haver ou um mero retorno à justificação prima facie, só que agora com maior embasamento, ou a produção de uma nova justificação.

Retomando o exemplo dado acima, a justificação ultima facie seria a que, mesmo depois de receber a informação da doença do filho de seu amigo, você receberia a informação que este adoeceu pela manhã e o jantar estava marcado para noite, e, assim, você continuaria a ter a justificação inicial.

A justificação ultima facie funciona como a melhor justificação possível, de forma que para que ela tenha este status, deve estar sustentada de tal modo que não necessite de nenhum outro acréscimo epistêmico.

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