O QUE É FILOSOFIA? PARTE 2

Por James Cornman e Keith Lehrer

em

Philosophical Problems and Arguments – An introduction, 2.ed. Macmillan Publishing: New York, 1974. Trecho do primeiro capítulo.

Tradução de Marcelo Fischborn

O texto foi divulgado originalmente em fischborn.wordpress.com.

Contudo, a caracterização precedente não deve levar você a pensar que todos os problemas filosóficos são potencialmente exportáveis por meio de procedimentos bem-sucedidos. Algumas questões e problemas resistem a uma tal exportação em virtude de seu próprio caráter geral e fundamental. Em todos os campos de investigação, por exemplo, homens buscam conhecimento.Mas é na filosofia que alguém pergunta o que é o conhecimento e se há, de fato, uma tal coisa. Estas questões pertencem ao ramo da filosofia chamado epistemologia. Em algumas áreas, economia e política, por exemplo, homens estudam as consequências causais de várias ações e políticas. Em filosofia, pergunta-se quais características gerais fazem de ações e políticas certas ou erradas. Estas questões pertencem à ética. Novamente, críticos, escritores, compositores e artistas perguntam se um dado objeto é uma obra de arte. Filósofos estão preocupados com a questão mais geral de o que faz com que alguma coisa seja uma obra de arte. Estas são questões de estética. Outras questões, sobre o caráter da liberdade, da mente e de Deus, parecem ser permanentemente assuntos da filosofia, porque são questões tanto muito básicas quanto muito gerais.

Além do mais, o tratamento bem-sucedido de um problema em uma área pode gerar problemas completamente novos. Por exemplo, a explicação de fenômenos físicos em termos de teorias e leis levanta a questão sobre se o movimento dos corpos humanos, que são parte do universo físico, se dá de uma forma puramente mecânica, a ponto de fazer não passar de uma mera aparência a nossa impressão de que somos agentes livres, determinando nosso próprio destino por deliberação e decisão. De modo similar, o sucesso da neurofisiologia ao explicar nosso comportamento levanta a questão sobre
se pensamentos e sentimentos são algo mais do que processos físicos. Nós não temos maneira de responder estas questões apelando diretamente a experimentos ou a uma teoria firmemente estabelecida. De fato, temos que repousar sobre os métodos da investigação filosófica – o exame cuidadoso de
argumentos oferecidos em defesa de posições divergentes e a análise de termos importantes ali contidos.

Não precisamos ter medo de morrer de fome em filosofia. A única limitação para os assuntos da filosofia é a capacidade da mente humana de elaborar novas questões de modo original e reformular as velhas. Desse modo, conteúdos adicionais são fornecidos para a área onde são bem-vindos todos aqueles órfãos intelectuais rejeitados por outras disciplinas, devido a sua dificuldade e complexidade. A filosofia é a morada daqueles problemas intelectuais que outras áreas não podem cobrir. Consequentemente, ela é abastecida com a estimulação intelectual da disputa e controvérsia, situando-se nos limites da investigação racional.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: