A FORMA E OS OBJETIVOS DE UMA ANÁLISE DE CONHECIMENTO

Por

Keith Lehrer

em

Theory of knowledge. Boulder: Westview Press, 1990.

Vamos então abordar a questão “O que é conhecimento?” com os objetivos de formular condições necessárias e suficientes para uma pessoa ter conhecimento (no sentido do termo ‘saber’) e de explicar como estas condições podem ser satisfeitas. Nosso projeto é contíguo com investigações científicas tendo objetivos análogos. Nossa concepção de análise está em dívida com  Quine e Carnap. Carnap propôs que filosofia deve visar à explicação. Esta é um tipo de análise visando a geração de conceitos filosoficamente e cientificamente úteis para articular leis e teorias. Por exemplo, a explicação de ‘peixe’ para excluir baleias da classe de peixe gera um conceito útil cientificamente para a proposta de formular leis. Uma tal lei é que peixe é de sangue frio,que baleias podem constituir um contra-exemplo,se baleias estão incluídas na classe de peixe.Quando,entretanto,levamos esta proposta de explicação a sério e adotamos a estratégia de provê analises deste tipo em filosofia, então, como Quine argumentou, aqui o limite entre filosofia e ciência pode não estar claro.Nossa argumentação é que é,certamente, a proposta da ciência como bem da filosofia prover conceitos para facilitara formulação de leis e teorias.

Assim, afirmamos que a distinção entre filosofia e ciência teorética é uma falsa distinção, se vista historicamente ou sistematicamente. Historicamente, está claro que ciências especiais rompem com a filosofia quando alguma teoria emerge e resolve um assunto circunscrito de uma maneira precisa e satisfatória. A filosofia permanece como o resíduo na panela de problemas intelectuais sem solução. Até hoje, teorias do conhecimento tem permanecido na panela. Não afirmamos que o estudo corrente ou outras recentes pesquisas tem trazido-nos ao ponto que a teoria do conhecimento deveria ter servido à ua ciência especial,sustentamos que estamos abordando perto do gol do que alguma suspeita e outros temores.

A formulação de uma análise de conhecimento pode ser expressa por uma equivalência. Novamente, a analogia com a massa é útil. Uma análise da massa pode ser dada em uma equivalência da seguinte forma:

0 tem uma massa de N se e somente se. . .

onde o espaço à direita da equivalência é preenchido com uma frase que descreve um conjunto de condições necessárias e suficientes. Da mesma forma, uma análise de conhecimento pode ser dada em uma equivalência da seguinte forma:

S sabe que p se e somente se. . .

onde o espaço à direita da equivalência é preenchido com uma frase que descreve um conjunto de condições necessárias e suficientes.

Quando consideramos os candidatos para tais condições, devemos perguntar se existe algum contra-exemplo para a análise proposta. Primeiro de tudo, qualquer experiência de fato ou de pensamento que pode falsificar o resultado da equivalência é um contra-exemplo. Dizer que não há experiência de pensamento que falsifique a equivalência, significa que não podemos pensar em possibilidade lógica que seja coerente com outros postulados da teoria, sob consideração que pode produzir um lado da equivalência que seja satisfeito e outro não. Vamos começar por considerar algum caso possível logicamente como um potencial contra-exemplo a uma teoria do conhecimento. Podemos decidir, eventualmente, entretanto, alguns exemplos, embora possível logicamente, são tão remotos em termos de possibilidade real que eles não constituem objeções reais a uma análise do atual conhecimento humano.

Além de ser imune de contra-exemplos, uma tal equivalência  seria adequada somente se,facilitasse chegar a nossos objetivos epistêmicos.Assim,embora algumas análises são definitivamente equivocadas, porque podemos procurar contra-exemplos aceitáveis,há outras equivalências que falham em constituir análise satisfatória, simplesmente porque são ininteligíveis. Dizer que uma pessoa sabe que p se e somente se é sabe-se que a pessoa que p, embora isto seja imune de contra-exemplos, poderia falhar completamente em explicar ou informar. O papel explicativo da análise é de fundamental importância e deve ser objeto de apoio para uma análise.

É importante, portanto, considerar desde o princípio que tipo de esclarecimento se está buscando, o que é que se está tentando explicar por meio de uma análise. Vamos tratar de uma análise que será proveitosa para explicar como pessoas sabem que os inputs (as informações e representações) são recebidos de outras pessoas e de seus próprios sentidos, são informações corretas em vez de erro e informação falsa. Uma pessoa pode receber uma representação p como input, sem saber que a representação é correta, portanto, sem saber que p. Suponha, por exemplo, que alguma pessoa desconhecida me diz tudo, o poleiro no Rio Genesee será morto por um poluente, que elevou a temperatura da água a dois graus. Eu poderia acreditar no que me disseram, sendo crédulo, mas eu não sei se meu informante sabe do que fala. Conseqüentemente, eu não sei se o poleiro vai morrer. Meu informante pode ser entendido. Eu posso possuir informação acurada como um resultado de crer no que me foi dito, mas não sei que a informação é correta. Similarmente, se possuo alguma informação na memória, mas não posso saber se está em formação correta,se é alguma coisa que acuradamente lembro ou exatamente imagino,sou ignorante nesta questão. Se, por outro lado, sei que a informação que possuo é correta, então tenho conhecimento, no sentido necessário.

Um teste, se sei que a informação que possuo é correta, é se posso responder a questão de como sei que a informação é correta ou como eu poderia justificar afirmando saber. Tais questões e as respostas providas são a base para a discussão crítica e a confrontação racional na inquirição científica e na vida cotidiana. As respostas a tais perguntas mostram-nos se ou não, as condições para conhecimento tem sido satisfeitas. Se uma pessoa afirma saber alguma coisa, como será a resposta a questão “Como você sabe?” será o determinante se aceitamos sua afirmação. Conseqüentemente, nossa análise de conhecimento deveria como uma pessoa sabe que sua informação é correta e como seu conhecimento está justificado.

O comentário anterior indica porque não vamos tratar do tipo de conhecimento atribuído à animais, crianças, máquinas simples que armazenam informação, tais como telefones que armazenam números de telefones. Tais animais, crianças, ou máquinas podem possuir informação e ainda comunicam a outros, mas eles não sabem que a informação que possuem é correta. Eles carecem de alguma concepção da distinção entre veracidade e informação correta, por um lado, engano, e por outro, informação falsa. Alguma criança, animal, ou máquina que não somente possui a informação, mas sabe se a informação é correta, é claro, que é um candidato a ser um sujeito cognoscente. Nestes casos, em que carece-se de conhecimento, vamos assumir ignorância no sentido da informação de conhecimento sob investigação aqui.

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