Archive for junho \22\UTC 2010

Erros de tradução – Dancy – Uma introdução à epistemologia contemporânea

junho 22, 2010

O texto a seguir foi publicado inicialmente em fischborn.wordpress.com

Identifiquei alguns erros na tradução do livro de Jonathan Dancy, An Introduction to Contemporary Epistemology, por Teresa Louro Pérez, pela Edições 70, Lisboa, Portugal.
Os dois primeiros casos que menciono abaixo julgo mais graves que os demais, que apenas facilitam a compreensão na minha opinião. Faço a sugestão de correção com base na tradução para o espanhol, por José Luis Prades Celma (Madrid, 1993), dado que não tenho acesso no momento ao original. A versão espanhola pode ser acessada na Biblioteca On-line aqui do blog.

Correções:

Capítulo 4, Sec. 4.2, Problemas do Fundacionalismo Clássico, primeiro parágrafo (p. 79), onde se lê:

“Uma das principais razões para querer que as crenças básicas próprias sejam infalíveis é que isto garantiria que são todas verdadeiras. Mas haverá algum ojectivo real em procurar esta garantia? Os princípios de inferência pelos quais devemos passar das crenças básicas para as não-básicas são infalíveis, no sentido de que nos levam por vezes de crenças verdadeiras para falsas.”

Sugiro a troca de infalíveis (em negrito) por falíveis.

—————————

Capítulo 8, sec. 8.3, A Teoria da Coerência da Justificação, primeiro parágrafo (p. 148):

“Esta teoria defende que uma crença é justificada na medida em que o conjunto de crenças do qual é membro é coerente. Cada crença deve ser avaliada por recurso ao papel que desempenha no conjunto de crenças. Se a coerência do conjunto aumentasse abandonando a crença e talvez substituindo-a pelo seu oposto, a crença é justificada.”

Sugiro a substituição da palavra destacada por injustificada.

—————–

Capítulo 8, sec 8.5, Coerentismo e empirismo, quarto parágrafo (p 157):

“Bradley defende que a experiência […]. Os dados representam a aceitação no nosso mundo da mesma maneira e pelos mesmos critérios que qualquer que qualquer outra proposição.”

Este caso não me parece tão grave quanto os outros, mas ainda assim surigo a substituião do trecho destacado por recebem.

——————-

Mesma seção 8.5, no parágrafo sexto (p. 158):

“É claro que se poderia optar por uma saída fácil e argumentar que esta objeção só é válida contra coerentismo puro, que defende que todas as crenças tenham [a mesma] segurança antecedente; …”

Sugiro aqui a inserção das palavras em destaque que não constam na versão portuguesa.

Anúncios

Maldita Linguagem…

junho 22, 2010

[O poema a seguir é de autoria do Luís Fernando, um amigo nosso do mestrado de Ética e Epistemologia da UFPI. De uma forma sutil e extraordinária, ele trata de conceitos presentes na filosofia da linguagem e precisamente em Quine.]

Queria escrever uma poesia sobre algo que ainda nem sei…

Mas, infelizmente, me faltam as palavras…

Malditas palavras que sempre me faltam quando mais preciso delas…

Ou seria o conteúdo que as recheia que me escapa…

Sobram palavras fúteis para expressar a falta das palavras que eu ainda espero em vão…

Que cafetina mais sorrateira é a linguagem que em seu seleto Salão do Belle Époque esconde as mais cobiçadas e atraentes palavras…

Ela sempre nos prende em sua inescapável rede semântica tal como uma presa indefesa de aranha noturna…

Seus nexos transcendentes sempre ultrapassam o escopo a que se restringe nossa sensibilidade servil…

Quero fugir desse mistério que é a linguagem, mas sempre estou preso a ela como em um redemoinho eterno…

Maldita linguagem… Sua inescrutabilidade referencial nos apavora e intimida…

Maldita seja a linguagem… Pois mesmo em meu mais profundo silêncio de Crátilo estou condenado a ser seu refém…

UMA REFUTAÇÃO DO CETICISMO: FALIBILIDADE, NÃO IGNORÂNCIA

junho 15, 2010

Por

Keith Lehrer

em

Theory of knowledge

Para sustentar o ceticismo, o cético deve tomar o argumento que se há alguma chance que S está incorreto em aceitar que p,então S não sabe que p.Na análise de conhecimento que temos articulado,esta premissa é inválida.Não é seguida da premissa que há alguma chance que S está incorreto em aceitar que p,que p não é verdadeira,ou que S não aceita que p,ou que S não está completamente justificado em aceitar que p,ou que a justificação de S é anulável.Ainda que S aceita que há alguma chance que ele esteja incorreto em aceitar que p,pode-se,no entanto,ser justamente razoável para ele aceitar que p em adição.

No interesse de obter verdade, pode ser razoável aceitar algo quando também aceita-se a falibilidade desse algo,isto é,aceitar que há alguma chance que este algo poderia ser errado.O cético no jogo da justificação pode sempre citar a chance de erro como um competidor no jogo da justificação,mas o jogador pode também neutralizá-lo.Nossa falibilidade é uma base insuficiente para a vitória cética.Podemos aceitar a premissa do cético concernente a chance conceitual e universal do erro implícito sem aceita a grave conclusão cética de ignorância universal.

Com esta resposta ao ceticismo daqui por diante, nós apressadamente notamos em algumas formas nossa posição está mais clara que a do cético, por mais freqüente quando pessoas afirmam sabe algo, elas afirmam saber por certo. Se elas sabem por certo, então aqui não deve existir chance que elas estejam erradas. Por isso, em concordar que há sempre alguma chance de erro, estamos concordando com o cético que ninguém jamais sabe por certo que alguma coisa é verdadeira. De mãos dadas com o cético nesta forma ganharemos pequenos aplausos dos dogmáticos que nunca duvidam que pessoas sabem por certo muitas das coisas que elas afirmam saber.

Assim nossa teoria do conhecimento é uma teoria do conhecimento sem certeza. Concordamos com o cético que se uma pessoa afirma saber por certo, ela não sabe o que fala. Entretanto,quando afirmamos saber,não fazemos afirmação para certeza. Conjecturamos que falar desta forma é um desvio do mais costumeiro uso da palavra “saber”. Comumente,quando pessoas dizem que elas sabem,elas sabem por certo e assumem que não há chance para algum erro. Esta suposição os habilita a derrubar confidencialmente as dúvidas céticas e pretende que eles procedam em graus de certeza. Uma tal pretensão oferece conforto e segurança nos afazeres práticos e depois,como bem na investigação científica.Todavia,é uma pretensão exposta pelo cético e repudiada por aqueles que falam a verdade.Nós,como o cético,admitimos ser uma chance genuína que algumas de nossas crenças podem ser falsas.Nós,como o cético,reconhecemos que há alguma chance,entretanto,pequena e remota,que as hipóteses são verdadeiras, que os céticos tem convencionado chamar suposições dogmáticas na dúvida.[…]

Somente nossa resposta ao cético é que, ainda se há alguma chance que alguma de nossas crenças possa estar em erro e, ainda se, portanto,não sabemos por certo que algumas delas são verdadeiras,contudo algumas dessas coisas nós aceitamos,estamos justificados em aceitar porque todos os competidores são derrotados ou neutralizados na base de nosso sistema de aceitação.É claro,que o que aceitamos pode estar errado – nós somos falíveis – mas se muito do que nós aceitamos está correto,então nossa justificação seria não anulável e teríamos conhecimento.Se estamos suficientemente corretos no que aceitamos,assim podemos distinguir entre quando nossa aceitação de alguma coisa é confiável e quando não é,então nós podemos saber o que acreditamos a despeito do risco de erro que nos confronta.Se nós fossemos massivamente enganados,como poderia ser se o demônio cartesiano fosse solto na terra,então nós poderíamos carecer de conhecimento.Entretanto, um demônio meramente imaginável não pode reduzir-nos a ignorância.