CETICISMO E FECHAMENTO: UMA ADVERTÊNCIA EXTERNALISTA

Por

Keith Lehrer

em

Theory of  knowledge

Alguns externalistas tem tratado com o cético numa forma que se assemelha ao argumento anterior, mas é, todavia distinto dele. Eles tem rejeitado um principio de fechamento, afirmando que se uma pessoa sabe que p e que se p, então q, de repente, por assim dizer, então a pessoa sabe que q. O princípio de fechamento seria formulado com grande precisão, é claro, mas esta formulação sofre para compreender como rejeitar um tal princípio, pode ser útil contra um cético. O cético adiante um hipótese cética que agora estamos adormecidos e sonhando em vez de percebermos o mundo externo como supomos. Ele argumenta que não há forma de sabermos que esta hipótese cética é falsa e conclui, portanto, que não sabemos que percebemos as coisas que percebemos. O externalista que rejeita o princípio de fechamento concede ao cético que não sabemos que sua hipótese é falsa, mas nega sua inferência. Ele diz que sabemos que estamos percebendo objetos externos, por exemplo, um pedaço de papel, ainda que não sabemos que não estamos agora adormecidos e sonhando. Verdade, ele admite, se estamos agora percebendo o pedaço de papel, mas sabemos que o último é verdadeiro, ainda que não sabemos que o primeiro é falso. O fechamento epistêmico falha, ele conclui, e com ele todas as hipóteses céticas.

A linha anterior de pensamento é típica de externalistas, embora não defendida por todos, porque uma crença resultante de um processo razoável ou uma crença que rastreia a verdade pode ter conseqüência que não resulta de um processo razoável ou rastreamento de verdade. Não posso ter forma de dizer se estou adormecido e sonhando ou não, e daí a crença que não estou pode ser o output de um processo razoável, nem de rastreamento de verdade. Não posso, nesta explicação, afirmar que eu poderia não crer agora que estou acordado e não adormecido e sonhando, se isso não fosse verdade. A razão para isto é que se eu estivesse adormecido e sonhando isto seria verdade, eu creria exatamente assim. Dretske sugeriu que, embora alguém deve ser capaz de excluir alternativas relevantes para que creia e tenha conhecimento, as alternativas céticas aproximam-se deste tipo de relevância.

A abordagem anterior teve algum apelo. Desde que não pensamos de hipóteses céticas concernentes a sonhos, alucinações, demônio cartesiano ou cérebros em cubas como nós tomamos no ciclo cotidiano, é natural supor que nós não precisamos conhecer alguma coisa sobre tais questões para saber que muitas coisas que supomos saber, por exemplo, nossa percepção externa dos objetos. Se soubermos da nossa percepção destas coisas e não sabemos que as hipóteses céticas são falsas, então a razão para negar o fechamento epistêmico é clara. Contudo, está o externalista correto em supor que não sabemos que as hipóteses céticas são falsas? O contrário é o caso. Eu sei que agora não estou sonhando. Eu sei que agora não estou alucinando. Eu sei que o demônio cartesiano não está me enganando e que não tenho meu cérebro em uma cuba de um poderoso cientista em seu laboratório. Posso achar difícil explicar exatamente como eu sei estas coisas. Estou, entretanto, pessoalmente justificado em aceitar que as hipóteses céticas são falsas porque minha aceitação de sua falsidade é confiável. Se, além disso, esta justificação pessoal é não-anulavel e minha aceitação confiável como eu suponho, então eu sei que estas hipóteses céticas são todas falsas. As hipóteses céticas são relevantes, são competidores genuínos, mas eles são derrotados por meu sistema de aceitação, e sua derrota é mantida em meu ultra-sistema de conhecimento flexível. Este conhecimento mão resulta da irrelevância das alternativas céticas, mas da existência de nossa justificação pessoal em aceitar que ao estamos sonhando, alucinando, enganados por um demônio mau, cérebros em cubas, e, assumindo que estamos certos nisso, da existência de nossa justificação completa e não anulável.

O cético provê um competidor para nossas várias afirmações de conhecimento, para as afirmações da percepção, memória, e introspecção.  Ele mostra que é possível que estejamos em erro, e ele está certo nisso. Nós podemos ir além e admitir não somente a possibilidade metafísica que podemos errar, mas também que somos genuinamente falíveis no que aceitamos. Temos erros genuínos de percepção, memória, e introspecção. Conseqüentemente, há sempre alguma chance de erro no que aceitamos, por mais que pequena e sem valor inquietante em nossas transações diárias. Quando aplaudimos o cético por lembrar-nos que uma boa epistemologia deve reconhecer que nós algumas vezes erramos e somos sempre falíveis em nosso julgamento, podemos por algum tempo neutralizar sua objeção.

Reconhecemos que somos falíveis em percepção, memória, e introspecção, mas quando aceitamos que as chances de erro são insignificantes, também aceitamos que somos confiáveis neste caso. É-nos então razoável que somos confiáveis e aceitamos ambas: a possibilidade de erro e nossa confiabilidade, tanto para evitar como para aceitar somente a inquietação cética. É, portanto, nossa confiabilidade que neutraliza as inquietações céticas. Nestas instâncias em que somo confiáveis como aceitamos, temos justificação não-anulável e conhecimento. Nestas instâncias em que o falso orgulho leva-nos a aceitar que somos confiáveis quando não somos, a neutralização falha e nossa justificação é anulável. A possibilidade ou ainda algum pequenos risco de erro, entretanto, não causa a vitória cética. A possibilidade e risco de erro pode valer a pena na questão para a verdade. Uma simples moral é suficiente para responder ao cético: alguém pode ser ambos: falível e confiável.

Entretanto, por que não rejeitar o princípio de fechamento e refutar o cético duas vezes? Sua habilidade sobrevive e o criticismo tem sua grande longevidade como Matusalém, depois de tudo, e uma dupla refutação parece apropriada. O problema é que rejeição do princípio de fechamento gera resultados problemáticos concernentes a outras questões. É claro, como Harman tem notado a mera dedução de algum resultado de que alguém sabe, não garante que alguém saberia o resultado deduzido. O que alguém sabe em um tempo, alguém pode falhar para saber em um tempo depois, pois é o que transparece no intervalo e a dedução da conseqüência pode ter este resultado. O princípio de fechamento é destinado para referir-se ao que alguém sabe um único tempo, entretanto, e então ele parece correto. O princípio diz que se alguém sabe que p e que se p então q de repente, então alguém sabe que q com bem.

O problema que surge da negação do princípio de fechamento é ilustrado por um exemplo de Kripke baseado num primeiro exemplo de Goldman. Pareceria que se sei que vejo um celeiro azul, então sei que vejo um celeiro. Como eu poderia saber o primeiro e não o último? Se negarmos o princípio de fechamento epistêmico, então eu poderia. Além disso, se teorias externalistas fossem corretas, também poderia ser o caso que eu poderia. Podemos ilustrar a conexão pela suposição que estou numa parte do país que um esperto construtor pôs aqui e ali fachadas de celeiro, que, sem suspeitar, olho exatamente como celeiros. Suponha, contudo, que sem tais fachadas que são azuis, e que eu, inocente da indústria de fachadas construídas, vejo um celeiro azul. Imagine, além disso, que não há outros celeiros reais na área, somente fachadas de celeiro vermelhas, e que eu poderia não ser capaz de dizer a diferença entre tais fachadas e um celeiro.

Eu sei que vejo um celeiro azul? Poderia padecer que não, desde que não posso diferenciar um celeiro de uma fachada de celeiro em minha presente circunstâncias. Note, contudo, que eu deveria não crer que vejo um celeiro azul se não visse um celeiro azul, pois não há fachadas de celeiro azuis. Minha crença rastreia verdade, como Nozick requer. Rastrear a verdade seria suficiente para conhecimento, eu deveria saber que vejo um celeiro azul. Note, contudo, que se eu também creio que vejo um celeiro, esta crença deveria não rastrear a verdade. Desde que há muitas fachadas de celeiro, seria incorreto dizer que eu deveria não crer que vejo um celeiro se não vejo um celeiro. Eu poderia crer que vejo um celeiro porque vejo uma fachada de celeiro. Assim, se rastrear verdade fosse suficiente para conhecimento, eu saberia que vejo um celeiro azul, mas não sei que vejo um celeiro. O fechamento falharia.

O problema anterior poderia, talvez, ser evitado por alguma modificação do externalismo, mas é naturalmente evitado pela teoria que temos oferecido. Suponha que vejo um celeiro azul, ignorante da existência de fachadas de fazenda, como no exemplo. Então aceitarei que posso dizer de um celeiro onde estou quando vejo um. Entretanto, isso é falso. Quando substituído num membro de meu ultra-sistema pela aceitação desta negação, isto é, pela aceitação da afirmação que não posso dizer de um celeiro onde estou quando vejo um, tenho alguma justificação para aceitar que vejo um celeiro vermelho, bem como por aceitar simplesmente que vejo um celeiro, será anulada. O resultado na nossa teoria é que não sei que vejo um celeiro azul mais do que sei que vejo um celeiro em um ambiente infestado de fachadas de celeiro. A moral é que se tentarmos escapar do ceticismo por rejeitar o princípio de fechamento, vamos encontrar nós mesmos dizendo que sabemos que vemos um celeiro azul quando não sabemos que vemos um celeiro. Por esta razão, quando as respostas externalistas ao cético que sabemos que vemos um celeiro quando não sabemos que estamos acordados e não adormecidos e sonhando que vemos um celeiro, ele mal pode esperar uma resposta mais tolerante, a partir de um sorriso descontente.

Em sumário, podemos em nossa questão para verdade tornar confidente de algum sucesso modesto e comunicar nossa confidencia a outros afirmando que sabemos. Poderemos então proceder para justificar a reivindicação de outros inquiridores. Assim, extraímos suas treplicas e algumas chances que aceitamos como resultado. Ao fazê-lo, esperamos estar corretos no que aceitamos e vir a conhecer nosso mundo. É a proposta de nossa teoria do conhecimento e justificação, explicar o produto desta aventura epistêmica incerta. Um passo necessário nesta explicação tem sido repudiado, o prejuízo dogmático que nós freqüentemente procedemos sem qualquer chance de erro. Nossa epistemologia aborda de perto a agnosiologia do ceticismo. Afirmamos que não há segurança contra falhas ou garantia de sucesso em nossa busca para verdade. A nobreza de nosso objetivo deve ser suficiente para sustentar nossa questão. Se estivermos, entretanto, suficientemente corretos no que aceitamos sobre nós mesmos, o mundo externo, e nossa confiabilidade, podemos, contrário ao cético, saber que pensamos, incluindo a falsidade de suas engenhosas hipóteses. Devemos, entretanto, ter a modéstia que não sabemos por certo que estamos certo nem podemos demonstrar que eles estão em erro. Eles são o critério da boa epistemologia e merecem nosso respeito consciencioso.

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Uma resposta to “CETICISMO E FECHAMENTO: UMA ADVERTÊNCIA EXTERNALISTA”

  1. Fernando Says:

    Boa passagem essa. O Dretske responde a essa objeção do Lehrer (o caso dos celeiros falsos do Kripke) no seu artigo “The Case Against Closure” na nota 4. Vale a pena dar uma olhada.

    Parabéns pelo site. Espero que volte a atualizá-lo.

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