POSSIBILIDADES CÉTICAS

Por

Stephen Hetherington

em

Synthese

Simplesmente para propósitos ilustrativos, focarei nas negações céticas paradigmáticas do conhecimento do mundo externo. Isto concede que temos experiências que nos atingem como sendo de um mundo além destas experiências, quando, todavia, negamos algum conhecimento correlato da existência ou natureza de um tal mundo. O mundo físico parece ser assim-e-assim; você sabe que é realmente assim-e-assim? Afinal, não poderia uma aparência particular ser meramente uma aparência –– em síntese, enganoso? Isto é uma possibilidade. E a argumentação cética poderia insistir que precisamos saber que não é verdade. Que preço deveria ser pago por carecer deste conhecimento? Drástico: não poderíamos usar o nosso conhecimento de como, parece-nos, a realidade é, para saber como, na realidade, é (em qualquer aspecto diferente da sua conta, incluindo as nossas experiências, aparentemente de como ela é).

Assim, recordando, justamente, a famosa descrição de Descartes de uma forma de possibilidade de ser enganado:

Quantas vezes ocorreu-me sonhar, durante a noite, que estava neste lugar, que estava vestido, que estava junto ao fogo, embora estivesse inteiramente nu dentro de meu leito? … Mas, pensando cuidadosamente nisso, lembro-me de ter sido muitas vezes enganado, quando dormia, por semelhantes ilusões.

Esta é a possibilidade cética do sonho de Descartes; e deveríamos analisar como descrevendo uma situação possível em que uma está meramente sonhando que p – isto é, sonhando que p, quando, contudo, não é verdadeiro que p.

Mas devemos ser cautelosos para não confundir sua possibilidade de meramente estar sonhando pela que é meramente uma possibilidade de estar sonhando. Esta confusão potencial poderia ser fomentada por Stroud na discussão ostensiva do argumento cético cartesiano, mas ultimamente de uma forma mais genérica do argumento cético. Como Sosa nota, Stroud apresenta o argumento do sonho cartesiano mais geral – como sendo comparativamente à possibilidade genérica do sonho, não mais a possibilidade específica de meramente sonhar. Stroud, concede, em nome de um suposto cético cartesiano, que uma pessoa poderia, no sentido relevante, estar sonhando que p (para um mundo externo p), ainda quando p é verdadeiro.

Ainda há um importante vínculo entre estas duas formas de conceber ceticamente a possibilidade de um sonho. Certamente e presumivelmente, o vínculo é que uma instância de sonho (genérico) é apropriada para ser uma instância de meramente sonhar – de alguém ser enganado. O sonho stroudiano é apropriado – ou assim pensamos tipicamente – para ser manifestado como sonho cartesiano.

Vamos generalizar esta distinção e este vínculo. Podemos distinguir entre possibilidades céticas diretas e algumas indiretas. A possibilidade, estritamente cartesiana, de meramente sonhar, é uma possibilidade cética direta. A extensão putativa de Stroud desta possibilidade estritamente cartesiana – falando meramente de sonho (em vez de meramente sonhar) – descreve uma possibilidade cética indireta. Assim, sua possibilidade de meramente sonhar que p é diretamente cética, porque se fosse verdade então p deveria ser falso. Por definição, parte de seu meramente sonhar que p não é verdadeiro que p. Desta forma, o conteúdo não-modal de uma possibilidade cética direta é incompatível com a verdade da crença em relação a que a possibilidade é supostamente cética. Em contraste, a possibilidade meramente de seu sonho (onde isto não implica seu meramente sonhar) não tem um conteúdo não-modal incompatível com a verdade da crença em questão.

É claro que atualizando uma possibilidade cética direta por um agente epistêmico – uma possibilidade pertencente à p – eliminaria seu conhecimento que p: o conhecimento que p faltaria porque a crença do agente que p seria falsa.

Mas atualizando uma possibilidade indireta pertencente à p careceria deste impacto imediato. Que é a suposta busca desta ameaça epistêmica? O cético afirmaria que o conhecimento de alguém que p faltaria, porque careceria de justificação suficiente para crer que p – se, isto é, alguém estivesse atualmente na situação não-modalmente descrita pela possibilidade cética indireta. Suponha que você está sonhando que há uma mesa em frente a você. Embora seu ser neste estado seja incompatível com a precisão do sonho (é verdade), você não está realmente justificado em crer que estar presente a uma mesa. Ou assim o argumento cético haverá. Em que graus? Há umas poucas possibilidades, refletindo, há concepções de justificação epistêmica competindo. Por exemplo, alguma razão que pode ser oferecida que você está sonhando, há uma suscetibilidade significante para enganar. Sendo enganado seria desrazoavelmente apropriado. Este apropriado seria condicional, relativo ao conteúdo não-modal (você está sonhando) desta possibilidade do sonho, a possibilidade como tal que você está sonhando. Alguma forma de justificação (tal como uma forma de justificação confiável) que requer engano, não seria desse modo, apropriada.

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