A TEORIA DA ANULABILIDADE

Por

João Benjamin Valença Albuquerque

[Dissertação apresentada como requisito para a obtenção do título de Mestre em Filosofia,  no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.Sob a orientação do Prof.Dr. Cláudio Gonçalves de Almeida.]

Para a teoria da Anulabilidade (The No Defeaters Theory), o que mais chama a atenção, no caso Gettier, é “que, talvez, exista uma proposição verdadeira tal que, se o sujeito acreditasse nela, então talvez ele não acreditasse (ou talvez não estivesse justificado em acreditar) na proposição em questão”.

Ela sustenta, grosso modo, que não é apenas a evidência que uma pessoa possui que torna uma crença epistemizada; é, igualmente, importante que não haja evidência anuladora desta crença. Isto é, a fim de que uma crença seja epistemizada, ela precisa não apenas estar justificada, mas sua justificação deve ser tal que não exista uma verdade que, se adicionada às razões que justificam a crença, esta não mais estaria justificada.

Assim, se Smith tivesse se dado conta de que Jones não possuía um Ford (que é verdade), então ele não teria ‘boas razões’ (justificação) para crer na proposição ‘ou Jones tem um Ford ou Brown está em Barcelona. Do mesmo modo, se Smith tivesse ‘percebido’ que o que ele estava olhando não era uma ovelha, não mais estaria ‘justificado’ em crer na proposição ‘há uma ovelha no campo’.

Definindo a Teoria da Anulabilidade

Df. S sabe que p sse: S crê que p; (ii) p é verdadeiro; (iii) S está justificado em crer que p; (iv) não existe proposição verdadeira t tal que, se S estivesse justificado em crer que t, então S não irá estar justificado em crer que p (nenhuma verdade anula a justificação de S em p).

A Teoria da Anulabilidade procura explicar porque não é um acidente cognitivo a verdade de uma crença justificada. Defensores desta teoria dizem que, se algumas das razões ‘importantes’ (aquelas que, se forem removidas, poderiam destruir a justificação) forem falsas, então adicionar a negação dessas razões (em outras palavras, adicionando a verdade) às crenças do agente cognitivo, estas anulariam a justificação; e, mais, se existir alguma evidência que o agente epistêmico não possui, tal que faça parecer que é apenas um acidente que a crença é verdadeira, as proposições que descrevem tal evidência poderiam anular a justificação.

Infelizmente, suplementando a tradicional teoria do conhecimento (crença verdadeira justificada) com a cláusula (iv) ou eliminando a (iii) não vai resolver o problema de Gettier. Segundo alguns epistemólogos, existem outros tipos de caso Gettier nos quais eles continuam não se qualificando como um caso de conhecimento.

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