EPISTEMOLOGIA E COGNIÇÃO

Por

Alexandre Meyer Luz

em

Veritas,Porto Alegre, Dezembro de 2005,v.50,n.4

O ensaio publicado por Alvin Goldman em 1986, Epistemology and cognition, tem um objetivo ambicioso, enunciado já no início de sua Introdução: “redirecionar e reestruturar o campo da epistemologia”.12 A epistemologia renovada, preocupada tanto com os aspectos individuais quanto com os aspectos sociais do conhecimento, será marcada pela cooperação intensa com as ciências – sem que, com isso, sejam abandonadas as pretensões normativistas tradicionalmente atribuídas à epistemologia. Seguindo o programa já estabelecido em 1979, porém, tais pretensões serão estabelecidas através do apelo à conexão entre nosso “equipamento cognitivo” e a verdade.

O “redirecionamento” dos trabalhos em epistemologia pode ser entendido, pois, num primeiro momento, como um rompimento com a tradição anti-psicologista pósfregeana. A abordagem do conceito de justificação segue, em linhas gerais, o programa anunciado em What is justified belief?, aí incluídos o rompimento com o internalismo e o papel central da noção de confiabilidade. Há, porém, desenvolvimentos que merecem nossa atenção.

A abordagem da justificação no ensaio de 86 (e temos aqui algo de novo, em relação ao ensaio de 79) é elaborada numa perspectiva de um conjunto de regras. Há três razões para a preocupação com a elaboração desta estrutura: primeiramente, a noção de regra permite a explicitação do caráter normativo da justificação, pois “chamar uma crença de justificada implica que ela é uma atitude doxástica apropriada, uma em relação a qual o [sujeito] conhecedor tem autorização ou direito epistêmico”. Em segundo lugar, a estrutura de regras fornece uma estrutura neutra para a classificação de diferentes intuições sobre o conceito de justificação. Em terceiro lugar, a estrutura de regras permite um “paralelo instrutivo entre avaliação epistêmica e avaliação social e oral”, o que permite maior clareza na identificação dos problemas e das conseqüências de uma posição assumida.

Estas intuições se materializam na seguinte definição de justificação, em= Epistemology and cognition:

(P3) A crença de S em p em t é justificada se e somente se

(a) A crença de S em p em t é permitida por um sistema correto de Regras-J, e

(b) Esta permissão não é desqualificada [undermined] pelo estado cognitivo de S, em t.

Acompanhada do seguinte critério para correção de conjuntos de regras:

(ARI) Um sistema R de Regras-J é correto se e somente se R autoriza certos processos psicológicos (básicos), e a instanciação destes processos resultaria em uma taxa de crenças verdadeiras que atingiria algum limiar elevado previamente especificado (maior do que.50).

Ou seja, se os processos autorizados são confiáveis.

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