CONFIABILIDADE

Por

Erik J. Olsson

em

The epistemology of  Keith Lehrer

Onde entra a auto-confiança ou confiabilidade? Conhecimento, como Lehrer o define, requer justificação pessoal com o sistema de avaliação da pessoa. Mas como este sistema está definido precisamente, dificilmente estará pessoalmente justificado. Declarações da forma “S aceita que p” constituem também uma base escassa para concluir nada interessante sobre a relativa razoabilidade de afirmações mais substanciais. Elas são meros relatórios do que eu aceito, e pouco menos segue-seque eu posso de alguma forma concluir que elas relatam o que é verdadeiro ou pelo menos plausível. Então, como faço para obter de “ Eu aceito que p” para p em si mesmo? A resposta de Lehrer é invocar o princípio de confiabilidade. Em adição à minhas outras aceitações, eu devo aceitar que sou confiável, isto é, eu devo a aceitar o seguinte princípio:

(T) Eu sou confiável (digno de minha própria confiança) no que eu aceito com o objetivo de aceitar qualquer coisa exatamente no caso dela ser verdadeira.

Na edição de 1990 de TK, Lehrer empregou o princípio de confiabilidade como um princípio de destacamento, permitindo-me destacar p de “Eu aceito que p”. A edição de 2000 é menos otimista neste respeito. De acordo com a visão afirmada aqui, confiabilidade em combinação com “ Eu aceito que p” não me permite concluir que p é verdadeiro, mas somente meu argumento é razoável em aceitar que p. O argumento leva-nos a esta conclusão – argumento da confiabilidade de Lehrer – executado como segue:

(T) Eu sou confiável no que eu aceito com o objetivo de aceitar qualquer coisa exatamente no caso dela ser verdadeira.

Eu aceito que p com o objetivo de aceitar que p exatamente no caso de ser verdadeiro.

Portanto, eu sou confiável em aceitar que p com o objetivo de aceitar que p exatamente no caso de ser verdadeiro.

Portanto, eu sou razoável em aceitar que p com o objetivo de aceitar que p exatamente no caso de ser verdadeiro.

O argumento da confiabilidade ilustra o alegado papel explicativo da confiabilidade. Que eu sou razoável em aceitar que p pode ser explicado pelo meu ser confiável, previsto que as premissas do argumento da confiabilidade sejam verdadeiras. Em particular deve ser verdadeiro que eu sou realmente confiável, desde que nenhuma falsa premissa seja explicada.

Lehrer salienta que o princípio (T) não deve ser visto como dizendo que sou sempre confiável. Antes, é uma declaração de uma capacidade ou disposição para ser confiável e então é compatível com minhas falhas.  Por isso, a inferência de minha confiabilidade geral para meu ser razoável em aceitar p é indutivo em vez de dedutivo. Além disso, minha confiabilidade não é somente uma questão de meu passado histórico em obter verdade e evitar o erro. Pois “ eu posso proceder de maneira que sou digno de minha confiança no que eu aceito, mas ser enganado totalmente sem culpa de minha própria”, como seria o caso se eu fosse enganado por um demônio cartesiano. É somente requerido que “ Eu sou confiável como as circunstâncias permitem. Para obter mais da interpretação pretendida do princípio de confiabilidade, veja o primeiro capítulo de Self-trust de Lehrer.

Há princípios de confiabilidade correspondendo para outras partes dos sistemas de avaliação. Assim, eu posso aceitar que sou confiável no que eu prefiro com o objetivo de preferir aceitar algo exatamente no caso de ser verdadeiro. Por um argumento paralelo ao argumento da confiabilidade para aceitação, posso então concluir que eu sou razoável em ter uma dada preferência. Por algum sinal, posso aceitar que sou confiável na minha razão, de que eu posso concluir que eu sou razoável em meu argumento para uma dada conclusão.

Minha aceitação do princípio de confiabilidade não faz com que minhas outras aceitações sejam automaticamente justificadas, mas as faz razoáveis e desde que dessa forma contribua para sua justificação. Nisto surge a questão de como justificar confiabilidade em si mesma. Confiabilidade pode dificilmente contribuir para a justificação de outras aceitações, a menos que ela em si mesma esteja justificada ou pelo menos razoável. A resposta básica de Lehrer é que confiabilidade não se aplica apenas a outras aceitações, mas também a si mesma. Recordamos que para qualquer proposição p que eu aceito com o propósito de obter verdade e evitar o erro, minha razão de aceitar minha confiabilidade para a razoabilidade de minha aceitação que p. Como um caso especial, minha razão da aceitação de minha confiabilidade para a razoabilidade de minha aceitação que eu sou confiável.

Lehrer caracterizou o papel especial desempenhado pela auto-confiança usando uma analogia de Thomas Reid: “exatamente como a luz, em revelar o objeto iluminado, ao mesmo tempo revela a si mesma, de modo que o princípio, em produzir aceitação de outras coisas razoáveis, ao mesmo tempo produz a aceitação de si mesma razoável”. A epistemologia de Reid teve uma profunda influência na teorização sobre a auto-confiança de Lehrer. Na interpretação de Lehrer, um dos princípios de senso comum de Reid é aplicável a outros princípios incluindo ele mesmo. Ver Lehrer(1989) e para uma discussão da interpretação de Lehrer sobre Reid, o artigo de Van Cleve no presente volume.

Como no caso de outras aceitações, o argumento da confiabilidade fica aquém de estabelecer que estou justificado em minha aceitação de (T). Somente estabelece que sou razoável em minha aceitação (provendo que as premissas são verdadeiras). Para que eu seja justificado em minha aceitação de (T), todas as objeções a esta afirmação tem de ser respondidas ou neutralizadas, tais objeções exigem referência a outras coisas que eu aceito. Por isso, ainda no caso de (T), a informação de fundo é requerida para que eu esteja justificado pessoalmente em aceitá-la.

O princípio (T) não justifica a si mesmo, porém depende desta justificação no sistema de fundo de outras coisas que nós aceitamos. Portanto, seria incorreto chamar uma crença básica no sentido fundacionista. Lehrer sugeriu que (T) É mais como uma pedra angular em um arco. Sem a pedra angular, o arco entraria em colapso, ao mesmo tempo a pedra angular é suportada por outras pedras no arco.

Está a circularidade envolvida no argumento de minha aceitação da minha confiabilidade à razoabilidade desta aceitação um círculo vicioso? Lehrer argumentou que não é vicioso apontando que sua intenção não é usar (T) como uma premissa para provar algo ao cético, mas sim para usá-lo para propósitos explicativos, a alegação de que o princípio de confiabilidade pode ser usado para explicar por que nos é razoável aceitar o que nós aceitamos. Na verdade, a mudança de justificação para explicação faz menos obvio que o círculo é vicioso. Lehrer ainda pensa que circularidade neste caso seja uma virtude em vez de um vício. É preferível, ele nota, deixar o mínimo possível de explicação. Portanto, uma explicação não somente explica porque outras aceitações são razoáveis, mas também porque a própria aceitação é razoável, e melhor neste aspecto que uma explicação que realiza o primeiro, mas não o último.

Contribuidores severos neste volume expressam insatisfação com a discussão de Lehrer de confiabilidade. Como assinala, Lehrer diz sobre os méritos da explicação possível da auto-confiança parece irrelevante para a questão de justificação. A visão de Lehrer nesta questão é examinada nas contribuições de James Van Cleve, G.J Mattey e Richard N. Manning. Os artigos de John W. Bender, John Greco e Peter Klein possui material relacionado. Manning, por exemplo, afirma que surgem dificuldade por causa da pressuposição de Lehrer que o princípio de confiabilidade é algo que precisa ser argumentado em primeiro lugar. Na visão de Manning, ao contrário, auto-confiança é uma condição transcendental na possibilidade de nossa prática epistêmica.

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