CONFIABILISMO DO AGENTE E O PROBLEMA DA CLARIVIDÊNCIA

Por

Sven Bernecker

em

Philosophy and Phenomenological Research, Janeiro de 2008

Há consenso generalizado que conhecimento é incompatível com sorte verídica. Uma crença é veridicamente sortuda se ele é verdadeira no mundo atual, mas na maioria dos mundos próximos possíveis em que o sujeito forma a mesma crença na base da mesma evidência ou via o mesmo método, a crença é falsa. Em geral, o confiabilismo é bem sucedido em eliminar sorte verídica dos ranks de conhecimento pela elaboração de condicionais subjuntivos que garantem que a crença rastreia a verdade por toda uma gama de mundos possíveis. Mas internalistas epistêmicos afirmam que há algum tipo de sorte epistêmica, ou seja, sorte reflexiva, que é também incompatível com conhecimento, mas que o confiabilismo não pode escapar. Uma crença é reflexivamente sortuda se, dada todas as informações acessíveis internamente a um sujeito sobre sua situação epistêmica, é uma questão de sorte que sua crença seja verdadeira. As razões confiabilistas não estão, usualmente, numa posição de excluir sorte reflexiva, porque elas tendem à subscrever ao externalismo, isto é, a visão que o conhecedor não precisa ter acesso a relação de rastreamento da verdade, que faz sua crença verdadeira conhecimento. Os internalistas alçam sorte reflexiva por demandar que para uma crença verdadeira seja qualificada como conhecimento, o sujeito deve ter acesso reflexivo a fatores justificantes. Ou não, uma crença é justificada e determinada por fatores que o sujeito numa posição de saber por acesso reflexivo e que ele pode ser realizado por sua responsabilidade.

Construído sobre o perspectivismo da virtude de Ernest Sosa, John Greco desenvolve uma ‘teoria do conhecimento que contenha ambas: uma condição de responsabilidade [internalista] e uma condição confiável [externalista]’. Esta ‘teoria mista’ está debaixo do nome de confiabilismo do agente. Apesar do confiabilismo do agente seja um tipo de confiabilismo externalista. Greco afirma que o confiabilismo do agente pode ‘acomodar a intuição [internalista] que conhecimento requer sensibilidade à confiabilidade da evidência de alguém, que conhecimento deve ser subjetivamente apropriado neste sentido’.

Enquanto processos confiáveis explicam justificação em termos de processos de formação de crença, o confiabilismo do agente usa a noção de virtude intelectual. Virtudes intelectuais são compreendidas como dispositivos (ou faculdades) de uma pessoa tal que, sob circunstancias apropriadas, ele crê em proposições verdadeiras e evitar crer em proposições falsas. Exemplos de tais virtudes são visão, audição, introspecção, memória, intuição lógica, dedução e indução. A justificação objetiva, de acordo com Greco, resulta em crenças resultantes das virtudes cognitivas de um sujeito, caracterizando produção confiável de crenças verdadeiras. O objetivo da justificação é externalista, no que o sujeito não precisa estar ciente do fato que ele está crendo está fora de uma virtude intelectual. Greco rotula sua epistemologia como confiabilismo do agente, por que a confiabilidade requerida é a confiabilidade do agente cognitivo em si mesmo, como oposto ao seu processo de formação de crença ou sua evidência.

A partir da visão de Greco, conhecimento deve ser ‘ subjetivamente apropriado bem como objetivamente confiável’ a teoria confiabilista da justificação objetiva é completada com um componente internalista (ou subjetivo). Para instigar a introdução da justificação subjetiva, Greco emprehga o caso de Norma, da clarividência, de Laurence BonJour. Norman possui o poder de clarividência perfeitamente confiável com respeito ao paradeiro geográfico do presidente dos Estados Unidos, porém ela não tem a menor idéia que possui este poder. Um dia, Norman de repente encontra-se crendo precisamente, na base de sua faculdade de clarividência, que o presidente está em Nova York (q). Embora ela não tenha evidência de uma ou outra maneira que q seja verdadeiro, se ela possui o poder de clarividência, e se tal poder é possível, o confiabilismo obriga-nos a assegurar que Norman sabe que q. Já BonJour afirma que Norman não sabe, a partir da luz de sua própria concepção subjetiva da situação, crendo que q é injustificado – é acidental que sua crença seja verdadeira. Conhecimento é incompatível com sorte reflexiva.

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