JUSTIFICAÇÃO E CONEXÃO DA VERDADE

Por

Keith Lehrer

em

Metaphilosophy,Vol. 34, No. 5, October 2003

Eu penso que o anterior é um argumento adequado para o principio de justificação de crenças perceptuais que evitaram o ceticismo. Chisholm partiu da posição de James, e penso que Reid também, rejeitar em comprometer as questões de verdade e justificação à um outro. Parece que Chisholm temeu, talvez acertadamente, que se as metas de obter verdade e evitar o erro determinam justificação, então, justificação será reduzida à conductivismo. Esse ataque a elas como um caminho que levaria à redução de justificação à uma base naturalista. Eu tenho argumentado que verdade em si mesma não é redutível à uma base naturalística e assim o temor foi injustificado. Entretanto, Chisholm bem poderia ter o pensamento que a redução de justificação a verdade, ainda se a ultima fora semanticamente irredutível, ainda privaria a justificação da característica normativa fundamental. Assim, ele insistiu que o objetivo fundamental da justificação fosse aceitar o que é razoável e evitar aceitar o que não é razoável.

O problema, como eu o vejo, é que o que é razoável para alguém aceitar por algum objetivo, dado algum prazer, por exemplo, poderia conflitar com o que é razoável aceitar por outro, evitar o erro, por exemplo. Alguns erros são muito agradáveis, estes são referentes à crença que o mérito de alguém é grandioso do que eles são, por exemplo, e razoável crer para esse propósito, mas não para o propósito de aceitar verdade na questão. Razoabilidade parece relativa à um objetivo. Além disso, justificação parece igualmente relativa, pois, novamente o que alguém está justificado em aceitar por prazer, poderia conflitar com o que alguém está justificado para aceitar, para obter verdade. Alguém poderia, é claro, considerar a questão do que é razoável aceitar de todas as coisas consideradas e, conseqüentemente, espero chegar à alguma consideração genérica de razoabilidade. Isso, entretanto, não parece ser a noção que está correta para o propósito de analisar a concepção de justificação necessitada como uma constituinte na analise de conhecimento. A razão é que haveria casos como esse da crença benevolente em que alguém está justificado em aceitar algo por um interesse em ser benevolente com alguém –– a quem ele é fiel –– a evidência que indica é falsa. Chisholm buscou analisar a evidência em termos da razoabilidade e assim ele precisaria evitar o emprego de uma noção de razoabilidade ou justificação de todas as coisas consideradas que gerariam o resultado que fosse razoável para uma pessoa aceitar algo, ou que uma pessoa estivesse justificada em aceitar algo, quando fosse evidente a pessoa que este algo fosse falso.

O simples ponto é que justificação que é uma constituinte de conhecimento não pode ignorar os objetivos de obter verdade e evitar o erro, porque o que é conhecido deve ser verdadeiro. Se justificação não está conectada com verdade, então adicionar evidência à verdade e à aceitação poderia levar à uma questão de sorte do que alguém aceitou  ser verdadeiro. Se justificação não está conectada com verdade, então adicionar justificação à verdade e aceitação, não exclui que aceitar algo que se apresenta verdadeiro é exatamente uma questão de sorte. Justificação deve ser uma conexão de verdade. Eu não estou certo de como Chisholm teria respondido a esta objeção, embora esteja certo que ele teria algo proveitoso para dizer.

O que eu desejo notar, entretanto, é que precisamente esta linha de pensamento que me leva do fundacionismo à teoria coerentista de justificação, e Chisholm via este como um resultado possível. Pois estava claro que a razão que ele argumentou em Perceiving que uma subclasse de crenças perceptuais, a saber, estas referentes às características sensíveis, fossem justificadas em si mesmas e estas crenças fossem raramente falsas, isto é, menos provável cair em erro do que mais arriscado do que crenças perceptuais, como perceber Marte, por exemplo. Chisholm não toma para si mesmo este apelo a idéia que tais crenças fossem raramente falsas, porque ele notou que um tal argumento levaria à um circulo. Concordo que levaria. Mas, parece-me que nosso reconhecimento do fator de segurança do erro em tais crenças explique o porque de nos colocarmos ao lado de Chisholm com relação a tais crenças como justificadas.

Eu partilho das formas com Chisholm neste ponto e concluo que algum sistema de fundo de coisas que aceitamos como o objetivo de aceitar o que é verdadeiro e evitar o que é falso prover-nos com a justificação. Sem levar em detalhes minha própria visão, é uma visão sistemática do que aceitamos e porque aceitamos o que nos provê uma teoria do porque é seguro aceitar algumas coisas em vez de outras, incluindo crenças sobre as características sensíveis. Aceitamos que tais crenças surgem de tal forma que as faz muito improvável que estejam em erro. Assim, ironicamente, é a rigorosa razoabilidade interna de Chisholm que me leva à uma visão oposta. Num certo ponto, tomando a posição de um fundacionista sobre justificação, Chisholm perguntou o porque de nossas crenças fundacionais serem justificadas, e sua resposta foi que elas são proposições do tipo: “ Estou pensando que sou um Albuquerque” que uma pessoa pode simplesmente justificar por reiterá-la. Isto me pareceu a equivaler a responder a questão do porque estou justificado por dizer: “ Eu de fato estou”. Mas, fui convencido que a resposta certa foi que tais crenças são muito improváveis para serem falsas e que a justificação assim provida gera o desejo da verdade como conexão.

A subseqüente discussão filosófica sugerida por mim, que foi uma forma de resolver o conflito entre a perspectiva fundacionista que diz que as crenças básicas são justificadas exatamente por reiterar o que é crido e a teoria coerentista que diz, em vez disso, que elas são justificadas porque estes tipos de crenças nos levarão à verdade. A resolução do conflito pode ser arquivada pela distinção entre o argumento que gera justificação e o argumento que explica justificação. Suponha como sustenta Reid e Chisholm, que algumas crenças perceptuais concernentes ao mundo externo tem alguma justificação intrínseca que não deriva de um argumento. Reid sustentou essa visão e adicionou a informação que tais crenças fossem como bem justificadas intrinsecamente que elas não seriam mais bem justificadas por argumentação, porque elas seriam  maximamente justificadas intrinsecamente. Ele observa, entretanto, que tais crenças são o produto de faculdades que não são falaciosas, isto é, são confiáveis e que não nos leva ao erro. Agora, eu penso que Chisholm foi igualmente convencido disso, que nossas faculdades não são falaciosas, mas ele não quis afirmar que esta fosse a fonte da justificação das crenças, por duas razões já notadas. Primeiro, ele pensa que argumentar desta forma seria argumentar em círculo, desde que já se precisaria saber que crenças perceptuais em questão fossem verdadeiras, pelo menos com elevadas freqüência, para confirmar que a faculdade que as produz não fosse falaciosa. Segundo, ele pensou que a questão era de valor, uma questão normativa acerca do que é razoável, que não fosse redutível ao sucesso em reagir a verdade.

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