O QUE VEMOS: A TEXTURA DA EXPERIÊNCIA CONSCIENTE

Por

Fred Dretske

Estou interessado no que vemos, na medida que isto nos diz algo sobre a experiência de ver. Isto é, estou interessado no que está ocorrendo em suas cabeças, quando vocês vêem coisas—a experiência consciente que você pode, e algumas vezes faz, extinguir por meramente fechar seus olhos. Fechar seus olhos não muda o mundo, pelo menos não na parte que você vê, mas muda sua experiência do que você vê. O que eu me refiro com esta questão do quanto de detalhe (visível) no mundo, quanto da textura, aqui fora, é capturada e assim representada nesta experiência subjetiva.

O que vemos é geralmente um complexo, um grupo de múltiplos elementos: uma rua ocupada com uma movimentação de pessoas e carros, uma floresta densa com árvores e vegetação rasteira, uma sala cheia de moveis e de pequenos objetos decorativos. Em olhar tais cenários, ainda que numa rápida olhada, temos a impressão de ver muito—muito mais, de fato, do que podemos descrever ou lembrar. Certamente parecemos ver mais do que conscientemente assistimos. O que eu me refiro com o quanto dos detalhes, o quanto da textura aqui fora no mundo, é capturada aqui, em nossa experiência consciente do mundo. E se há muitos dos detalhes aqui(com eu creio que há), como se poderia possivelmente demonstrar que seja assim.

Quando falo sobre o que vemos, eu estou falando sobre que estamos conscientes(cientes) de. Se alguém não está consciente de x. A palavra “percepção” é freqüentemente usada mais inclusivamente em estudos cognitivos. Alguém percebe x se ele dá informações sobre x via um sistema sensório acreditado se ou não esta informação é incorporada numa experiência consciente. Cegueira é assim classificada como uma forma de visão. Embora o sujeito não esteja consciente de x, ele está, todavia, dizendo perceber x se ele dá informação sobre x por meio dos olhos. Um número estatisticamente relevante de respostas corretas quando perguntado sobre as propriedades de x demonstra(de acordo com a forma de dizer) percepção de x. Neste caso, S percebe x, como eles dizem, sem consciência de x. Percepção inconsciente.

Eu não tenho queixa com este uso. Eu meramente registro minha própria maneira de usar palavras. Eu estou me referindo a percepção de S de x, quando S está consciente de x, quando a informação(sobre x) é incorporada numa experiência consciente de x. Estou interessado em quanto do que você percebe que você atualmente vê.

Antes que eu comece, uma ou duas palavras sobre os tipos de coisas que vemos. Vemos(ou descrevemos a nós mesmos como vendo) objetos, propriedades e fatos.[…]Assim, eu tomo momento, para lembrar-lhe de importantes diferenças.

OBJETOS E EVENTOS

[particularidades espaço-temporal: algo existe ou

ocorre num lugar durante um tempo]

Paus, pedras, pessoas, casas, árvores, estrelas…

VISÃO                                   lutas,jogos,mortes,casamentos…

 

Dedos são objetos. A experiência que alguém tem em ver três dedos é diferente da experiência de alguém que vê dois ou quatro dedos. Estas experiências tem uma textura diferentes. O número de objetos que alguém vê—se dedos,pessoas, árvores,estrelas ou folhas—faz uma diferença na textura da experiência(há exceções isoladas a esta regra, mas eu as ignoro aqui). Assim, também, o número de eventos: jogos, colisões e gestos. Eu não argumento para isto. Eu o tomo como óbvio.

Também vemos propriedades. As propriedades que vemos também contribuem para a textura da experiência. Um objeto multicolorido—uma bandeira com cinqüenta estrelas e 13 listras — contribui com grande textura para uma experiência do que uma folha de papel em branco. Um objeto em forma de estrela tem mais textura do que um círculo. Eu não estou seguro de como argumentar para isso (desde que a noção de textura que estou trabalhando esteja mal definida), mas, mais uma vez, parece mais ou menos óbvio para mim, e se não está óbvio para você, trate-a como a minha maneira de lhe dizer o que significa a textura da experiência consciente.

OBJETOS

 

 

 

VISÃO                             PROPRIEDADES [objetos abstratos]

A cor da sua gravata

O tamanho da sua casa

A posição do seu peão(no xadrez)

…inclui relações

Em, no, debaixo, sobre, etc.

E, finalmente, há os fatos que vemos—o fato que sua gravata é azul, seus olhos estão fechados, ou minhas chaves estão sobre a mesa. Os fatos que vemos são simplesmente o que nos faz saber pela visão objetos e propriedades. Tipicamente, eu vejo ( o fato) que minhas chaves estão sobre a mesa por ver as chaves(um objeto), a mesa(outro objeto) e a relação entre elas(o primeiro estando sobre o outro). Eu não vejo os objetos e propriedades que figuram nos fatos que eu vejo, mas vejo um fato que eu tenho visto alguns objetos e propriedades. Eu posso ver que a bateria do meu celular precisa ser carregada não por ver a bateria, mas o pequeno ícone (representando a carga da bateria) na tela. A percepção é indireta quando alguém vê um fato pela visão de outros objetos que constituem o fato, objetos que indicam, por suas propriedades ou comportamento, o fato em questão.

 

OBJETOS

 

VISÃO                       PROPRIEDADES

 

FATOS[coisas que nos fazem saber por ver objetos e

Propriedades]

Que seus olhos são azuis

Que minhas chaves estão sobre a mesa

Que aquilo(que você vê) é um esquilo

Que A e B são diferentes

Que A é móvel

Os fatos que nós vemos não contribuem para a textura da experiência. Ambos vemos o daffodil(tipo de narciso amarelo). Vemos ele do mesmo ângulo e na mesma luz. Ele parece exatamente o mesmo para nós. Você, um jardineiro experiente, vê que tipo de flor é. Você vê (o fato) que é um daffodil. Eu não.  Nós, todavia, temos exatamente a mesma experiência. Um diagnosticista experiente vê mais(fatos) quando ele examina a fotografia raio-X,mas não –não necessariamente—mais objetos ou propriedades. Ele vê mais fatos porque ele compreende, o que essas sombras(o quanto você vê) significam e indicam.

Estas distinções verbais são mais ou menos óbvias. Pelo menos eu sustento que elas são. Embora, durantes os anos eu tenho encontrado que a ignorância delas leva-nos a problemas filosóficos. Permita-me mencionar alguns destes problemas desde suas ameaças até o transbordamento no presente tópico.

Suponha que alguém não distinga a percepção dos fatos da percepção dos objetos. A visão de uma maçã (um objeto) é então impensavelmente confundida com a visão—que é uma maçã. Uma vez que esta confusão ocorre num lugar, ignorância(ou ceticismo) sobre o mundo é transformada numa forma de cegueira.

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