SOB QUE CONDIÇÕES ALGUÉM SABE? A ANÁLISE DE CONHECIMENTO

Por

Keith DeRose

em

http://pantheon.yale.edu/~kd47/What-Is-Epistemology.htm

Desde que a epistemologia é a teoria do conhecimento, uma questão da área é: sob que condições um sujeito sabe algo? Muitas classes de epistemologia geral gastariam pelo menos algum tempo nesta questão ( ao contrário de avançados cursos especializados que zeram neste tópico particular da epistemologia), e muitos começos com ela.

Um artigo muito importante sobre este tema – talvez o mais, comumente, designado em classes de epistemologia – é o clássico de Edmund Gettier, “Conhecimento é crença verdadeira justificada?” (Analisys 23(1963): 121-123). O objetivo de Gettier é tentar inicialmente uma teoria de conhecimento:  a teoria “JTB”, como é frequentemente chamada, que analisa conhecimento como crença verdadeira justificada. De acordo com uma tal teoria, um sujeito S sabe que p se e somente se(Gettier usa a abreviação filosófica comum de IFF para “se e somente se”):

1.P é verdadeiro

2.S crê que p, e

3. S está justificado em crer que p.

Então, de acordo com esta teoria você sabe q ue está chovendo lá fora, por exemplo, se o somente se é verdadeiro que está chovendo lá fora, e você crê que está chovendo lá fora, e você está justificado em sua crença. Para refutar tal teoria, Gettier adiantou dois exemplos, cada um que envolve ( ou pelo menos intuitivamente parece envolver) instâncias de crença verdadeira justificada que todavia falham para ser instâncias de conhecimento.

Alguém poderia tentar manter a teoria JTB diante dos casos de Gettier ou por argumentar( contra aparências) que as crenças verdadeiras em questão nestes exemplos não estão realmente justificadas, ou por manter( novamente contra aparências iniciais) que os sujeitos nos exemplos sabem as proposições em questão. Porém, muitos epistemologos tem aceitado que os casos de Gettier são contra-exemplos genuínos a teoria JTB – eles são exemplos genuínos em que as questões “S sabe que p?” e “ S tem crença verdadeira justificada que p?” tem diferentes respostas, e assim refuta a teoria JTB de conhecimento.

O artigo de Gettier iniciou uma explosão de literatura filosófica desejosa em produzir uma teoria de conhecimento aceitável, ou por modificar a teoria JTB por adicionar mais condições a ela, ou por trocar a terceira condiçõa justificação, por uma ou mais condições. Muitas novas teorias foram propostas somente para serem sujeitadas a novos contra-exemplos – exemplos que refutam a teoria em questão ou por mostrar como um sujeito pode saber algo a despeito de falhar em satisfazer as condições que a teoria propõe, ou por mostrar como um sujeito pode falhar em saber algo, ainda que ele satisfaça as condições propostas. Muitas vezes, ainda mais teorias sofisticadas foram propostas para tratar os novos exemplos, somente para sofre a crise de contra-exemplos ainda mais sofisticados. (Para a discussão de muitos exemplos da análise em questão, e de alguns dos problemas que eles taparam, ver o livro de Robert Shope, The Analysis of knowledge, Pricenton University Press, 1983)Muitos epistemologos passaram a se cansar do jogo, e perderam as esperanças de surgir com uma nova teoria de conhecimento que serviria a este processo. Um tópico muito discutido tem sido se e como a metodologia de testar teorias filosóficas por contra-exemplos( uma metodologia que é praticada em muitas áreas da filosofia além da epistemologia) pode ser proveitosamente perseguida, e a literatura “pós-Gettier” sobre a análise de conhecimento tem sido usada como objeto de exposição desta metodologia em ação.

[Para mais materiais introdutórios sobre este tópico, ver o artigo de Matthias Steup na Stanford Encyclopedia of Philosophy, “The analysis of knowledge”]

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