A PROVA DE MOORE DA EXISTÊNCIA DOS OBJETOS EXTERIORES

Por
 
Rodrigo Cid
 
em
 
investigacao-filosofica.blogspot.com
 
Moore, no texto aqui referido, pretende provar que existem objetos exteriores. Para isso, indica que não quer provar que existem objetos exteriores no sentido transcendental de “exteriores”, mas apenas no sentido de “objetos que devem se encontrar no espaço”. Daí diz que para um objeto ser exterior ele deve ser independente logicamente de estarmos tendo uma experiência. Pois, se ele não fosse independente, seria considerado uma alucinação ou outro objeto mental. Posteriormente, Moore afirma que se não pensarmos “exterior” no sentido transcendental, então da proposição “existem coisas do tipo que se devem encontrar no espaço” se seguirá “há coisas que se devem encontrar no espaço”; como, por exemplo, de “há dois cachorros ali” se segue “há coisas que se devem encontrar no espaço”, de “há plantas” se segue “há coisas que se devem encontrar no espaço” etc. O que faltaria, então, seria Moore provar que existe pelo menos um objeto do tipo que se deve encontrar no espaço para provar ipso facto que existem objetos exteriores. E é essa prova que nos interessa.
A prova é a seguinte: Moore balança suas mãos, uma por vez, e diz enquanto isso “aqui está uma mão” e “aqui está outra mão”; e, daí, conclui “existem duas mãos em existência agora”. Como mãos são do tipo que se devem encontrar no espaço, então é também provado que há coisas que se devem encontrar no espaço (objetos exteriores). Segundo Moore, isso é um argumento onde as premissas são o balançar de suas mãos e as asserções sobre a localização de suas mãos, e a conclusão foi a de que existem duas mãos agora. É a explicação de porque isso é uma prova rigorosa que nos indica qual o conceito de “saber” de Moore: constantemente aceitamos provas de um certo tipo; e esse tipo é aquele onde a premissa é diferente da conclusão, onde a premissa é sabida e não meramente crida, e onde a conclusão se segue da premissa. Ele afirma que sabe que aqui está uma mão, pois não entenderíamos (seria um absurdo) como Moore poderia não saber onde estavam suas mãos e apontar para o local certo.
Dizer que há um absurdo em supor que ele não sabia onde estavam suas mãos é uma indicação de que Moore pensa que se sei, não posso estar errado. Mas ele rejeita que saber é conseguir provar como se sabe, rejeitando a tese de que se não posso provar, então não sei. Ele pensa que muitas vezes sabemos as coisas, mas não somos capazes de mostrar qual é toda a nossa evidência para sabê-las; por exemplo: ele sabe que suas mãos estão em um certo lugar, mas não consegue determinar qual é a evidência que o faz saber tal coisa. Para Moore, não conseguirmos determinar a evidência não é um problema, desde que a regra para saber (se sei, não posso estar errado) seja cumprida: ele não poderia estar errado sobre a localização de suas mãos já que indicou o lugar certo.
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