PRINCÍPIO DE CARIDADE

Comumente se tem levantado contra as teorias coerentistas a seguinte questão: como garantir que dentro do sistema coerente de crenças do sujeito, pelo menos a maioria das crenças sejam verdadeiras? Para Donald Davidson é ininteligível que a maioria de nossas crenças sejam falsas, pois se fosse o caso seria impossível interpretar uma pessoa.

A idéia é que na situação em que se encontra um intérprete que não sabe nada sobre a linguagem e nem sobre as motivações da conduta do interpretado, o intérprete para poder encontrar o significado( as condições de verdade) das orações proferidas pelo interpretado, deve supor que a maioria das crenças( pelo menos as mais básicas) do interpretado sejam idênticas as suas.

Conforme Davidson, só tem sentido falar de verdade e falsidade de nossas crenças se supormos a existência do mundo exterior, tal mundo é a causa da maioria de nossas crenças e é compartilhado por intérprete e interpretado. Sem a suposição de tal mundo como causador de nossas crenças seria impossível chegar a uma teoria da linguagem que fala o interpretado bem como dos seus desejos e crenças.

Um resumo esquemático do argumento de Davidson seria como segue[1]:

1-    Se queremos uma explicação da constituição de nossas palavras, crenças e outras atitudes proposicionais, devemos recorrer ao método interpretativo;

2-    O método interpretativo exige acordo massivo de crenças entre as pessoas que conseguem se comunicar por meio da linguagem e também exige que tais crenças sejam efetivamente verdadeiras;

3-    A explicação da constituição do conteúdo de nossas crenças exige que a maioria delas sejam verdadeiras.

Uma questão que se coloca ao método interpretativo é por que ele exige que a maioria das crenças do interpretado sejam verdadeiras. Deixando aparte os problemas com o causalismo. Se o conteúdo da maioria de nossas crenças está constituído por relações causais entre as coisas no mundo exterior e nossas crenças seriam sempre verdadeiras. Tal exigência é muito fraca, pois afrouxa demasiado as condições para conhecimento.


[1] Esquema apresentado por Sílvio Pinto.

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