TARSKI E A CONCEPÇÃO SEMÂNTICA DA VERDADE

Publicado em gpfanalitica.blogspot.com

O que significa dizer de um enunciado que ele é verdadeiro? Responder a essa pergunta é, necessariamente, comprometer-se com algum tipo de teoria da verdade. Dentre as diversas teorias da verdade elaboradas ao longo da históra da filosofia ocidental, a chamada teoria da verdade por correspondência é, sem dúvida, a mais conhecida (e muito provavelmente a posição mais conforme às crenças do que poderíamos chamar de senso comum). Segundo ela, o que torna um enunciado verdadeiro (ou falso) é uma relação de correspondência (ou não) entre o que é enunciado e certos fatos ou estados de coisas realmente exisentes no mundo. O enunciado “A capital da China é Pequim”, por exemplo é verdadeiro se realmente há uma cidade chamada “Pequim” e se realmente esta cidade é a capital do país que convencionalmente denominamos “China”; já o enunciado “A capial do Japão é Seul” é falso, segundo essa teoria, porque, embora realmente exista uma cidade chamada “Seul”, ela não é a capital do país a que chamamos de “Japão”, mas sim do país a que chamamos de “Coréia do Sul”. Portanto, segundo a teoria da correspondência, a verdade ou a falsidade de um enunciado é determinada pela existência de fatos que correspondem inequivocamente ao conteúdo que está sendo enunciado. Mas, apesar de sua ampla aceitação e de sua aparente correção, essa teoria, já desde suas primeiras elaborações mais explícitas (provavelmente com Aristóteles), viu-se presa de dificuldades teóricas bastante contundentes. Uma dessas dificuldades pode ser bem ilustrada por qualquer uma das variações do chamado paradoxo do mentiroso. Consideremos, por exemplo, o seguinte enunciado: “Este enunciado é falso”. Segundo a teoria da correspondência, este enunciado seria verdadeiro se existisse um fato que correspondesse ao que está sendo afirmado, ou seja, ele seria um enunciado verdadeiro se realmente fosse um enunciado falso; mas se o enunciado fosse falso, isto é, se nenhum fato correspondesse ao que ele afirma, então o enunciado “Este enunciado é falso” deveria ser verdadeiro. Nada poderia ser mais incômodo para a teoria da correspondência, ou para qualquer teoria que pretendesse explicar em que consiste a verdade, do que ter em seu encalço um paradoxo dessa natureza. É justamente como um meio claramente deliberado de se livrar das dificuldades geradas pelo paradoxo do metiroso (e outros semelhantes) que o lógico polonês Alfred Tarski elaborou sua chamada teoria semântica da verdade. Investigar a solução apesentada por Tarski em sua formulação do conceito semântico de verdade é a tarefa a que se propôs nosso pesquisador Felipe Machado, estudante do curso de Filosofia. Esperamos que tão logo sua pesquisa avance tenhamos o início de uma proveiosa discussão a respeito do conceito de verdade e de seus desdobramentos no seio da tradição anlítica.

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