O ARGUMENTO DA ACEITAÇÃO

Aqui está meu argumento para a razoabilidade do que eu aceito, que p, encontrado na trilha da auto-confiabilidade.

(1)  Eu aceito que p.

(2)  Eu sou digno de minha confiança referente ao que eu aceito.

(3)  Eu sou digno de minha confiança concernente a minha aceitação de p.

Mas, agora eu me encontro tropeçando na conclusão concernente a razoabilidade estendendo-se ante a mim. Pois, se eu sou digno de minha confiabilidade  concernente a minha aceitação de p, então, desde que o objetivo da aceitação é aceitar o que é digno de ser aceito como verdadeiro, eu sou razoável para a confiabilidade da minha aceitação de p. Assim, eu procedo estabelecendo o que estende-se imediatamente ante a mim na trilha.

(4)  Eu sou razoável em confiar na minha aceitação de p.

Um pequeno passo a mais. Se eu não sou razoável para aceitar que p, então eu não sou razoável em confiar na minha aceitação de p. Inversamente, é claro, se eu sou razoável em confiar na minha aceitação de p, então eu sou razoável em aceitar que p. Daí, chegamos a um marco na trilha da razão.

(5)  Eu sou razoável em aceitar que p.

Mas, isto é uma pequena parte da forma para a meta de conhecimento e sabedoria.[1] Ainda, a primeira milha é a mais importante, e eu persistirei um pouco aqui, para compreender esta conexão entre auto-confiabilidade e a vida da razão.

Há uma objeção ao meu argumento, mas não a primeira premissa, porque se eu nada aceito o problema da razoabilidade do que eu aceito nunca surge. E o que dizer sobre a segunda premissa. Também eu tenho dito que devo aceitar a segunda premissa, que sou digno de minha confiança concernente ao que eu aceito. Esta necessidade de aceitar minha própria confiabilidade parece ser um argumento do desespero. A menos que eu aceite minha própria confiabilidade, eu não posso responder as dúvidas céticas e minha situação está sem o remédio da razão. Mas, o que tem a haver que eu penso ser razoável para aceitar que a premissa (2) seja verdadeira? Eu tentaria justificar a premissa (2) com outras premissas, mas eu devo aceitar minha confiabilidade concernentes a estas premissas ou o argumento  é em vão. Pois, o que é o ponto difícil é prover alguma conclusão das premissas que eu aceito a menos que eu seja digno de minha confiabilidade com respeito a estas premissas? A tentativa de justificar a premissa (2) em detrimento das outras leva-nos a um regresso.

Outra alternativa para mim seria insistir que eu sou razoável em aceitar a premissa (2) como verdadeira sem qualquer razão ou explicação. A tentativa para justificar a premissa (2) pelo argumento parece levar a um regresso, mas insistir que eu sou razoável em aceitar a premissa (2) converte-se num tipo de surto da razão, algo que eu aceito mas, sou incapaz de dar explicação racional.

Eu estou preso entre o regresso e o surto? Não, não estou. Eu aceito a premissa (2), e consequentemente, a premissa (2) aplica-se a si mesma no argumento como exatamente dado acima. A variável p no argumento acima respondido pela premissa (2), o princípio de minha confiabilidade em si mesmo. A conclusão do argumento é, então, que eu sou razoável em aceitar que eu sou digno de minha confiabilidade concernente ao que eu aceito. Segue abaixo o argumento:

(1A) Eu aceito que sou digno de minha confiabilidade concernente ao que eu aceito.

(2A) Eu sou digno de minha confiabilidade concernente ao que eu aceito.

(3A) Eu sou digno de minha confiabilidade concernente a minha aceitação da premissa que sou digno de minha confiabilidade concernente ao que eu aceito.

(4A) Eu sou razoável em confiar na minha aceitação da tese que eu sou digno de minha confiabilidade concernente ao que eu aceito.

(5A) Eu sou razoável em aceitar que sou digno de minha confiabilidade concernente ao que eu aceito

A conclusão(5A) é a que é desejada.

Eu tenho realmente evitado o surto? Depois de tudo, eu tenho usado a premissa (2A) no argumento que chega a conclusão que sou razoável em aceitar (2A). Não leva-me a um surto inexplicável como a premissa (2A)? Não, pois a razoabilidade de aceitar minha confiabilidade não é inexplicável. Para estar seguro, o argumento não é uma prova da verdade da conclusão, especialmente para um cético das premissas, especialmente a premissa (2A). Mas, o argumento embora não seja uma prova que refutaria o cético, não explica minha razoabilidade em aceitar que eu sou confiável, pela simples razão que minha confiabilidade no que eu aceito explica porque eu sou confiável em aceitar minha confiabilidade. Se eu sou digno de minha confiabilidade no que eu aceito, isto explica porque eu sou digno de minha confiabilidade concernente a minha aceitação de ser digno de minha confiabilidade no que eu aceito, há várias coisas incluídas.

O ponto do argumento é a explicação da razoabilidade de aceitar que eu sou digno de minha confiabilidade concernente ao que eu aceito, ainda se eu não posso provar que o argumento está correto. A segunda premissa chave de ambos os argumentos, que recoloco

(A) Eu sou digno de minha confiabilidade concernente ao que eu aceito,

Aplica-se a aceitação de si mesmo. Isto explica minha confiabilidade e razoabilidade em aceitar (A). (A) é assim um tipo de fundamento da aceitação razoável no que a estrutura da aceitação razoável se apóia? Não, esta é uma metáfora incorreta. A razão é que outras coisas que eu aceito suportam e confirma a premissa (A). Quando eu considero as outras coisas que eu aceito, lembro que o que eu aceito constitue meu melhor esforço em aceitar o que é digno de se aceito como verdadeiro e evitar aceitar o que não é, eu concluo que eu sou digno de minha confiabilidade no que eu aceito.


[1] [N.T.]Entenda-se sabedoria no sentido de prudência.

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