A OBRA DE REID

Por

Keith Lehrer

em

Thomas Reid. London: Routledge,1989

Qualquer breve formulação da filosofia de Reid para iniciantes pode ser proveitosa. Reid é tomado para prover uma alternativa a doutrina de Reid que atribui a Descartes, Locke, Berkeley e Hume, a saber, que o objeto imediato do pensamento é sempre alguma impressão ou idéia. Ele refere-se a isso como a teoria ideal. Hume mostrou, Reid defende, que esta doutrina leva ao ceticismo e a uma absurda filosofia da mente. Reid estava, como veremos, profundamente em débito com estes filósofos por seu próprio sistema, porque eles exibiam assim claramente as conseqüências da teoria ideal e porque seus escritos continham elementos de um melhor teoria. O leitor não deve, como os leitores freqüentemente fazem, construir Reid como rejeitando totalmente o trabalho desses escritores ou sugerindo o que eles escreveram. Nada estaria além da verdade. Sua teoria dos signos e linguagem natural, que é central no seu pensamento, foi inspirada pelos escritos de Berkeley. Sua ênfase em princípios conceituais inatos foi inspirada por Descartes. Seu realismo referente a percepção e seu apelo ao senso comum foi inspirado por Locke. A necessidade de postular princípios conceituais inatos é uma conseqüência direta dos argumentos céticos de Hume.

Para colocar a questão de outra forma ele raciocinou a partir dos argumentos céticos de Hume. Reid pensou que Hume desenvolveu a tese da imediaticidade de Berkeley a uma conclusão extrema. A tese da imediaticidade é simplesmente a tese que o que é imediatamente anterior a mente é sempre alguma impressão ou idéia. Por um tempo Reid aceitou esta doutrina, e um ministro devoto da rejeição da substância material que deve ter parecido uma pequena perda. Mas quando Reid estudou Hume e ficou convencido que esta tese a rejeição da substância mental e espiritual, deixando-nos com uma concepção de mente como uma mera coleção de idéias, Reid concluiu que a tese da imediaticidade foi um erro basilar. A correção já estava contida em Berkeley, pelo menos no seu trabalho publicado, admite que temos uma noção de mente. Não há dúvida de que o que ocorreu a Reid foi a noção de introspecção que ele sustentou, isto é, uma concepção de objetos externos e suas qualidades como fonte. Se estas concepções não estariam acomodadas pela tese da imediaticidade e a teoria ideal, como Reid concluiu do estudo de Hume, então exigimos uma teoria diferente. Para construir uma alternativa ele voltou as doutrinas de seus predecessores: de Berkeley, que temos uma noção de mente como uma poder ativo, de Locke, que percebemos as qualidades primárias da matéria, e de Descartes, que nossas concepções básicas surgem, não da experiência, mas de princípios inatos. O problema foi combinar estas doutrinas em um sistema coerente justificado por inferência empírica em vez de por uma especulação a priori.

Sua teoria positiva pode ser facilmente esboçada. O antídoto ao ceticismo e a falsa filosofia é confiado ao empirismo e aos princípios do senso comum. Estes princípios são princípios inatos de nossa constituição que produzem concepções e convicções das operações de nossas próprias mentes, da mente de outros, das qualidades dos objetos externos, e das leis da natureza. Assim, a solução ao problema de como podemos conceber a existência das qualidades dos objetos externos é simplesmente que elas surgem dos princípios inatos da mente. A solução ao problema de como podemos justificar estas convicções é que elas não requerem justificação, porque elas são evidentes em si mesmas sem o uso de argumento.

Há as suposições básicas de sua filosofia, mas elas requerem qualificação imediata. A postulação a priori destes princípios inatos de concepção, convicção, e evidência não garantida. Reid é um empirista. Sabemos da introspecção reflexiva, que podemos estar numa forma precisa de observação, que temos certas concepções e convicções. Argumentar contra isto é argumentar contra um fato empírico. Mas ele precisa de um argumento para estabalecer que algumas concepções e convicções surgem dos princípios inatos. A maior parte de sua filosofia da mente se refere exatamente a este problema. Reid tenta distinguir estas concepções e crenças imediatamente surgindo dos princípios inatos,que são originais, destas concepções e crenças se obtém como um resultado da experiência. Nossas crenças perceptuais concernem as qualidades primárias dos objetos externos que são originais, sendo uma resposta inata aos signos sensoriais, a linguagem da natureza. Além disso, qualquer comportamento de outros também constitui signos naturais que surgem para convicções originais referentes aos pensamentos de outros, de acordo com os princípios inatos da mente. Estas crenças perceptuais são crenças originais que concernem aos pensamentos de outros, Reid argumenta, evidentes em si mesmas sem apelo a argumento. Reid encarrega-se de defender sua afirmação que nossas crenças originais são evidentes, embora ele insista que elas não são suscetíveis de prova direta. Ele argumenta que a alternativa é ceticismo total e que a alternativa do senso comum é compatível com nossa falibilidade.

Reid é freqüentemente acusado de construir sua filosofia sobre um apelo dogmático ao senso comum. É uma falsa acusação. Reid argumenta, muitas vezes brilhantemente, para sua visão e contra as teorias opositoras. Ele não assume exatamente dogmaticamente que várias crenças são o resultado de princípios inatos. Ele argumenta para isto e freqüentemente nos provê com um modelo de argumentação filosófica. Algumas vezes seus argumentos são truncados e assume ao leitor que compreende Hume como tendo mostrado que várias concepções não podem ser explicadas em termos da experiência. Mas, há sempre argumentos para as afirmações inatas, argumentos, que eu julgo convincentes, e há argumento com respeito as crenças que surgem dos primeiros princípios evidentes em si mesmos. Reid é um mestre dialético, e eu suspendo de que quem defendeu seu sistema descansou sobre o dogmatismo onde outros resistiram ou foram incapazes de compreender seu pensamento. Em vez disso eles focaram sobre os comentários de Reid de quando ele decidiu entre extravagância metafísica e os julgamentos do senso comum, ele encontra o que ele favorece com o vulgar. Argumentos são disseminados por toda a parte sobre sua obra, e, embora ele habilmente cultivou seu jardim dialético, o resultado não está onde alguns simples princípios explicam a organização de tudo que está plantado nisso. É um jardim mais natural e orgânico, que se deve passear por todo ele para encontrar o desenvolvimento da decoração e apreciar a organização orgânica do conjunto. Reid sabia que você não refutaria um importante argumento com um único argumento. Alguém deve reunir todas as revisões e respostas que surgem no curso da Inquiry.

Assim, o Inquiry e o Essays on the Intellectual Powers contem uma teoria de concepção e crença baseada nas faculdades inatas e princípios de nossa constituição natural. O Active Powers contem a teoria de Reid sobre a ação. O autor, coloca a questão em termos modernos, visões da mente como um sistema de input, e por último, como um sistema de output. Seu trabalho se divide numa teoria de como recebemos, interpretamos e operamos sob informação sensória, e por outro lado, numa teoria da ação, racionalidade prática, e por outro, moralidade.Entretanto, as duas teorias não estão totalmente separadas. Reid acredita que há uma faculdade moral e, assim, informação moral. Ele acredita que a mente é ativa e não meramente passiva em receber informação dos sentidos. Assim, há uma discussão de moralidade e poderes no seu trabalho sobre poderes ativos. Ação racional pressupõe compreensão, julgamento e argumento assim como volição. É em Active Powers, entretanto, que Reid avança a uma doutrina libertária da agência e liberdade humana. Ele argumenta que nossas ações livres são causadas por nós, não por nossos motivos ou por nossos corpos, como exercício de nosso poder para determinar nossa vontade. Tal causação implica o poder para ação e o poder para declinar. Assim, possuímos uma forma de liberdade incompatível com a suposição que nossas ações são instâncias de leis universais da natureza. Seus argumentos no interesse dessa doutrina da liberdade contem alguns dos mais importantes argumentos em seu corpus.

O núcleo da filosofia de Reid é uma combinação de sua teoria dos poderes naturais da mente dando surgimento a convicções imediatas pela forma de princípios inatos, com sua teoria de uma agente sendo a causa imediata de certas ações por exercer um poder para determinar a vontade. O mérito de sua filosofia, entretanto, é ser testada pela irresistibilidade da argumentação como irei mostrar. Para realizar isto, eu estou com Reid na refutação de Hume, e uma breve explicação da teoria positiva de Reid, no próximo capítulo. Isto é seguido por uma apresentação estendida dos argumentos que estão em Inquiry e Essays on the Intellectual Powers assim como um capítulo examinando as teorias da concepção e da evidência contidas em suas obras. Eu volto então para uma explicação de seu Essays on the Intellectual Powers e concluo com um epílogo me referindo a relevância da obra de Reid nas questões contemporâneas. O leitor deseja encontrar um tipo de atalho para averiguar o que eu penso sobre a contribuição da obra de Reid, receberá uma farta impressão ao ler os capítulos II, X e XV. Eu não discuto qualquer coisa além dos maiores trabalhos de Reid neste livro, salvo para alguém que encontrar algo se seu trabalho não publicado. Há, é claro, maior merecimento da discussão em Reid.

Terminando este capítulo, eu gostaria de finalizar com um testemunho pessoa para Reid. Estudando sua obra, eu me encontrei como um cientista, metafísico e companheiro do filósofo, penetrando com critério. Eu trabalhei completamente seu corpus, deveria encontrar alguma objeção ou contradição, que eu planejei para levantar contra ele, somente descobri mais freqüentemente o problema antecipado e respondido alhures em seu trabalho. Meu respeito por ele cresceu quando conheci o melhor dele. Ele é sempre irresistível, e agora então ele está brilhante, por exemplo, no desenvolvimento da geometria dos visíveis. Ele é um mestre dialético. Entretanto, suas habilidades dialéticas e matemáticas nunca são usadas para confundir seu leitor, mais informa seu leitor da forma mais clara possível das conseqüências dos princípios e teorias. Se ele acredita em alguma conseqüência de uma teoria absurda, ele busca exibir a absurdidade. Seu propósito não é nos impressionar com sua retórica, mas mostrar-nos que algum primeiro princípio tem sido negado. Ele é honesto e modesto, e, embora ele não seja imune ao erro, ele exibe notável honestidade intelectual e agudez. Sua vida foi devotada a ciência e a filosofia, para a descoberta da verdade e a exposição do erro. É uma vida de integridade moral e intelectual. É uma vida que alguém pode amar. Seu obituário no Glasgow Courier diz com perfeita exatidão,

Seu caráter em toda a sua vida foi distinguido por um ardente amor a verdade, e uma assídua procura por ela nas várias ciências; pela mais amável simplicidade de modos, gentileza de temperamento, vigor de afeição, candura e liberalidade de sentimentos, que exibem a si mesmos no exercício habitual de todas as virtudes sociais; e pela firmeza, coragem e piedade racional.

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