ALGUMAS COMPLEXIDADES SOBRE OS DERROTADORES

Por

Rogel Esteves de Oliveira

[Trecho de tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Filosofia, da PUCRS]

Klein (1981), com muita propriedade, apontou algumas complexidades importantes em torno dos derrotadores, embora em uma caracterização geral elas sejam passadas por alto. Primeiramente, Klein chama a atenção para o fato de que um derrotador d pode “quebrar” qualquer ponto ou “elo” da “cadeia de razões” de S para P, derrotando sua justificação, e não necessariamente a razão imediatamente anterior a P (ibid., p. 143,4). Assim, se S está justificado em crer que P graças à sua evidência En, e está justificado em crer que En graças à sua evidência En-1, e assim por diante – admitindo que sua evidência seja linear, terminando em uma crença “básica” E1, por exemplo -, o derrotador d da justificação de S para P não precisa ser tal que a conjunção d & En não mais “confirme” ou torne provável P. O derrotador pode se unir a algum outro “elo” anterior Ei da cadeia de razões de tal forma que a conjunção d & Ei não mais torne provável Ei+1. Isto bastaria para derrotar toda a justificação de S para P, já que a justificação para P dependeria de toda a cadeia de razões (ibid.). No exemplo de “Smith e Jones”, na verdade, pode-se constatar este fato, como mostrado acima.

Um segundo e importante complicador envolvendo os derrotadores, segundo Klein, é o fato de que uma proposição verdadeira D1, não acessada por S, pode não ser diretamente ou “efetivamente” um derrotador da evidência de S para P, mas apenas quando combinada com alguma outra proposição G pertencente ao corpo evidencial de S, isto é, que S crê ou está justificado em crer. Neste caso, o “efetivo” derrotador é, na verdade, a conjunção D1 & G, a qual derrota sua evidência Ei e, consequentemente, sua justificação (ibid., p. 144-6). Ou, ainda, D1 pode ser um derrotador indireto da justificação de S para P porque D1 torna provável (ou somente “plausível”) outra proposição D2, e esta, por sua vez, derrota (sozinha) a justificação para P (em algum ponto da cadeia de razões de S). Em qualquer um dos casos, D1 é apenas um “derrotador iniciador” (“initiating defeater”), e D1 & G e D2 são, na realidade, os “derrotadores efetivos” – distingue Klein (ibid.). Claro, em muitos casos o derrotador iniciador e o efetivo serão idênticos, mas isto não acontece sempre. É necessário que se note – adverte ainda Klein – que com esta distinção outro fato importante ocorre: embora o
“derrotador iniciador” deva ser alguma proposição verdadeira – do contrário, o processo todo nem começaria -, o “derrotador efetivo” pode ser falso. A falsidade, por si só, não enfraquece ou anula o poder do derrotador efetivo de derrotar a justificação (ibid., p. 146). Entretanto, ela explicaria a origem dos chamados “misleading defeaters”, ou “derrotadores enganosos”, que têm sido a principal causa da crítica à teoria dos derrotadores, e dos quais se falará abaixo (ibid., p. 148; cf. SWAIN, 1998).

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Uma resposta to “ALGUMAS COMPLEXIDADES SOBRE OS DERROTADORES”

  1. Marcos Says:

    Artigo Bacana!
    Mas seria legal, dar exemplos de casos complexos e analogias para os leigos!

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