CONDIÇÕES EPISTÊMICAS IDEAIS

Texto extraído de NÁVIA,R.Verdade,racionalidade e relativismo em H.Putnam.Porto Alegre:EDIPUCRS,1999.p.27-28

Para Putnam a verdade é identificada com a justificação idealizada e não com a justificação baseada na evidência atual.

É pertinente perguntar a Putnam pela definição dessas “condições epistêmicas suficientemente boas”[1]. Responde que, por exemplo para o enunciado “Agora há uma cadeira em meu escritório”, essas condições consistiriam em que tivéssemos uma boa visão, em estar em meu escritório com a luz acesa, em não ter ingerido substâncias alucinógenas,etc.

Como é óbvio, imediatamente surge a pergunta pelo fundamento – além do bom senso – dessas condições. Vale a pena citar sua resposta:

Em parte pelo conhecimento de como opera este tipo de jogo da linguagem, e em parte porque se dispõe de uma quantidade de informação empírica.Não há nenhuma regra simples e geral ou método universal para saber que condições são melhores ou piores para justificar um juízo empírico qualquer. Nessa concepção, então, a “verdade” (idealização justificada) é tão vaga, relativa aos interesses e sensível ao contexto como “somos nós”.[2]

Segundo Putnam, dado que nem as condições de verdade nem as de acertabilidade estão sujeitas a critérios estabelecidos, aprendemos as mesmas, como Dummet propôs, pelo menos para as partes menos teóricas da linguagem: adquirindo uma prática. Embora depois vá discrepar com Dummet no sentido de que o que adquirimos não é um conhecimento que possa ser aplicado como se tratasse de um algoritmo. Pois, apesar de aprendermos essas condições em certas circunstancias em que se supõe que devemos aceitar, também nos ensinam e deixam uma margem de questionamento em mãos de nossa inteligência geral. Vale a pena citar um trecho da mencionada Introdução:

Se a asserção (no sentido de asserção garantida) não pode ser formalizada, a asserção garantida idealizada (a verdade) pode menos ainda, porque a noção de melhores e piores condições epistêmicas (para um juízo particular) da qual depende é revisável na medida que nosso conhecimento empírico aumenta. Essa é, contudo, uma noção significativa: que melhores e piores condições epistêmicas para a maioria dos juízos, e um ponto sobre o qual seria o veredicto se as condições fossem suficientemente boas, um veredicto com o qual convergiria a opinião se fossemos razoáveis, é o núcleo de meu próprio “realismo”. É um tipo de realismo, de quero que seja um tipo humano de realismo, uma crença de que há um ponto do que é corretamente afirmável para a gente, por oposição ao que é afirmável desde a concepção do olho de Deus tão apreciada pelo realista metafísico clássico.(Ver sobre isto Reflexões sobre Ways of Worldmaking de N.Goldman).[3]   


[1] Assim se chama em Phil.Papers,v.3 “Introduction”,p.XVII.

[2] PUTNAM,H. Realiism with a human face,p.VIII.

[3]  PUTNAM,H. Realiism with a human face,p.XVIII.

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