VARIANTES DO COERENTISMO

Por

Louis P. Pojman

em

What can we know?: an introduction to the theory of knowledge

Sempre houve teorias coerentistas da verdade, teorias que estabelecem que  a verdade reside num Sistema Absoluto de conhecimento. A teoria de Platão do Real poderia ser interpretada como um sistema absoluto de verdade, em que as formas coerem num grande projeto unificado. Em tempos mais recentes Georg W. F. Hegel(1770-1831), Francis H. Bradley (1846-1924), e Brand Blanshard(1892-1987) sustentaram a visão que a verdade deve ser definida não como a correspondência de proposições com fatos, mas um integrado e absoluto, em que proposições individuais recebem justificação e credenciais relativas a verdade.[1] Nesta versão forte, toda crença verdadeira é implicada por outra crença  ou proposição no sistema coerente. A Verdade Absoluta, sem possessão moral, consiste em conhecer Tudo, toda proposição verdadeira no universo. Nosso conhecimento finito somente se aproxima a esta Verdade Absoluta. Neste sentido, não conhecemos nada, desde que nossas crenças sejam incompletas, mas podemos afirmar saber em parte, em graus, e por aumento de nossa compreensão, podemos aumentar os graus de conhecimento. Já temos examinado a teoria coerentista da verdade juntamente com rivais no capítulo 1 deste livro.

Entretanto, muitos coerentistas contemporâneos, como W.V.Quine, Wilfred Sellars, Gilbert Harman, Keith Lehrer, e Laurence BonJour, rejeitam a teoria coerentista da verdade como uma doutrina metafísica implausível e em vez dela aderem a teoria coerentista da justificação.[2] Crenças individuais são justificadas por todo o sistema de crenças em que elas coerem. Toda justificação é inferencial, assim a noção da propriedade de basicalidade é uma contradição em termos.

Há versões severas de coerentismo. As versões mais básicas são o coerentismo holístico e linear. No coerentismo linear, um crença B¹ deve sua justificação da crença B², que tem seu suporte de B³…,Bn¹, que tem seu suporte de Bn, que finalmente tem seu suporte de B¹. O processo é um exemplo do esquema circular discutido no capítulo 6. Achamos ser uma tentativa implausível no escape do problema do regresso, dado que não explica como simplesmente movendo em um círculo pode justificar alguma coisa. Se B¹ não tem qualquer garantia epistêmica positiva em si próprio e em B²,… não tem qualquer garantia em si próprias, como podem receber status de epistemicamente positivas?

O coerentismo holístico é não linear. Uma crença não recebe status epistêmicos positivos meramente de outras crenças, mas por ter um importante papel num sistema total de crenças. Uma figura de uma teia em três dimensões, tais como  uma casa de abelhas ou teias de aranha, em que cada crença é um nó ligando, sustentando juntamente com outras crenças. Muitos coerentistas contemporâneos o modo simples de inferência linear, em vez disso aceitam este modelo holístico, em que uma crença alvo pode receber suporte de muitos tipos de proposições. Ao contrário do fundacionismo, suporte é simétrico e recíproco. Isto é, uma crença A pode suportar B, e num complexo B pode servir de suporte a A. O coerentismo é uma teoria que exige que nosso sistema de crença funcione completamente, é mais ou menos consistente, e provê a melhor explicação dos fatos relevantes.

Considere sua crença que você está vendo um certo objeto diante de você.Dizem que é um tomate vermelho. O coerentista afirma que o que parece uma simples percepção é realmente um processo muito complicado. Em primeiro lugar, compreender o que vermelho e tomate significa envolve um rico esquema conceitual, consistindo na compreensão(para alguma situação adequada) a idéia de cores, vegetais, alimentos e objetos físicos. Uma criança carece de todos estes conceitos, e muitos animais provavelmente também. Sua crença deve ser consistente com outras crenças, tais como que você está acordado e não alucinando, que o tomate não é simplesmente uma réplica de cera, que a iluminação está normal,e que você está numa distância própria do tomate para discerni-lo como tal, distinguindo-a de uma pimenta vermelha(por exemplo).

Um exemplo mais teórico de uma justificação coerente seria de uma resolução de assassinato de Sherlock Holmes. Ele toma pistas diferentes – as várias pegadas, tipo de impressão do jornal à esquerda da cena, os motivos e métodos de execução – e ele de alguma forma as coloca juntas, argumentando para a melhor explicação, chegando a um julgamento a respeito de como,por que, e como ocorreu o assassinato.

Ou considere: você está acordado no meio da noite por um ruído no pátio de entrada. Seu primeiro pensamento é que um intruso está na sua casa. Mas, então, você lembra que seu gato tinha uma bola de  borracha amarrada a uma corda com que ele gosta de jogar. Você reflete que um intruso provavelmente faria um tido diferente de ruído, talvez mais regular e pesado. Seu bairro tem sempre sido livre de roubo. Estas crenças fazem mais provável que é o gato do que um ladrão, quem está o barulho fora de seu quarto. Se de repente você ouve passos pesados que vem para o seu quarto, isto desconfirmaria a hipótese do gato.

Esta ilustração caracteriza as severas características do Coerentismo. Primeiro, a crença que o gato está fazendo o barulho não é uma crença básica ou fundacional, nem é derivada de uma. Segundo, a crença é resultado de um complexo de crenças relevantes, inclusive excluindo a hipótese do intruso. Terceiro, aceitando a hipótese do gato confirma as crenças que são suportadas nela, a saber, minha crença que os gatos gostam de brincar com bolas e que eles podem ver na falta de iluminação; minha crença antecedente que intrusos e ladrões não assombram o meu bairro; e minha crença que eles não entrariam tão silenciosamente na minha casa. Finalmente, o coerentismo estabelece que justificação é uma questão de graus. Se eu ouço miados, o grau de justificação seria aumentado. Se eu ouço uma queda da lâmpada e bater contra o chão, meu grau de justificação seria provavelmente diminuído.


[1] Georg W. F. Hegel, Ciência da lógica(1813);Francis H. Bradley, Essays on truth and reality(Oxford:Clarendon Press,1914);e Brand Blanshard, The nature of thought vol.2(London:Allen & Unwin,1939). Ver o apêndice para uma descrição da teoria coerentista da verdade.

[2] Keith Lehrer, Knowledge (Oxford: Clarendon Press,1974);Gilbert Harman, Thought  (Princenton:Princenton University Press,1973);W.V.Quine, From a logical point of view (Cambridge,MA:Harvard University Press,1953);and Laurence BonJour, The Structure of Empirical Knowlwdge(Cambridge,MA:Harvard University Press,1985)

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