MOORE E A PROVA DO MUNDO EXTERIOR

Kant no prefácio da Crítica da Razão Pura já apontou a necessidade de uma prova das coisas exteriores, e, de fato, é importante dar provas das coisas exteriores. Kant apontou como escândalo o fato de a Filosofia não apresentar provas para a existência de objetos exteriores.

Há uma longa tradição filosófica que confunde três expressões: “coisas exteriores a nós”, “coisas exteriores” e “coisas exteriores a nossa mente”, foram usadas como sinônimas de forma equivocada. O próprio Kant reconheceu que a expressão “coisas exteriores a nós” é ambígua.

Kant para distinguir empiricamente os objetos exteriores dos objetos exteriores no sentido transcendental, chama os primeiros de “coisas que se devem encontrar no espaço”. A partir dessa expressão, pode-se encontrar nesta categoria todas as coisas que conhecemos como objetos físicos, no entanto, coisas como a sombra, não podem ser incluídas na categoria de objetos físicos.

Kant usa a expressão “apresenta-se no espaço” como equivalente a “deve-se encontrar no espaço”. Porém, há coisas que apresentam-se no espaço, contudo não são encontradas nele. Exemplos disso são as imagens posteriores, imagens duplicadas, dores corporais e sensações posteriores.Tais coisas devem ser reconhecidas como objetos exteriores, ainda que não sejam encontradas no espaço.

Moore expressa que se interessa em prover provas para as “coisas que devem se encontrar no espaço”, de tal forma que se existe uma planta e um cão segue-se que há coisas que se devem encontrar no espaço, pois não pode existir um cão que não possa ser encontrado no espaço.

“Coisas que devem ser encontradas no espaço” está relacionada a “coisas exteriores a nossas mentes”. Assim, deve-se distinguir o que é exterior a minha mente do que está em minha mente, com minha mente eu penso, imagino e lembro.

Portanto, é necessário deixar claro que tenho uma experiência quando não estou inconsciente, nem sonhando, nem tendo visão ou alguma coisa do tipo. Enquanto essas coisas estão em minha mente, meu corpo é exterior a ela. Neste sentido, “coisas que devem ser encontradas no espaço” é diferente de “exterior a nossas mentes”, pois do fato de que existem coisas que não encontramos em nossas mentes não se segue que há coisas que podem ser encontradas no espaço, já que podem existir coisas no espaço que não são percebidas por mim. As coisas que se encontram no espaço que eu percebo, essas são exteriores a minha mente.

Por conseguinte, se posso provar que existe uma mão e uma folha de papel, terei provado que há duas coisas que são exteriores a nossa mente, e quantas coisas não posso provar!

Pode-se provar que duas mão existem ipso facto, mostrando-as. Por exemplo, a melhor forma de provar que um livro contem erros de impressão é abrindo-o e mostrando. E pelo mesmo modo, posso provar que objetos exteriores existiram no passado.

Alguns querem que se prove que “aqui está minha mão e aqui está outra”. Moore acredita que tal tipo de prova não se pode dar.

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