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O ARGUMENTO DA ACEITAÇÃO

fevereiro 9, 2011

Aqui está meu argumento para a razoabilidade do que eu aceito, que p, encontrado na trilha da auto-confiabilidade.

(1)  Eu aceito que p.

(2)  Eu sou digno de minha confiança referente ao que eu aceito.

(3)  Eu sou digno de minha confiança concernente a minha aceitação de p.

Mas, agora eu me encontro tropeçando na conclusão concernente a razoabilidade estendendo-se ante a mim. Pois, se eu sou digno de minha confiabilidade  concernente a minha aceitação de p, então, desde que o objetivo da aceitação é aceitar o que é digno de ser aceito como verdadeiro, eu sou razoável para a confiabilidade da minha aceitação de p. Assim, eu procedo estabelecendo o que estende-se imediatamente ante a mim na trilha.

(4)  Eu sou razoável em confiar na minha aceitação de p.

Um pequeno passo a mais. Se eu não sou razoável para aceitar que p, então eu não sou razoável em confiar na minha aceitação de p. Inversamente, é claro, se eu sou razoável em confiar na minha aceitação de p, então eu sou razoável em aceitar que p. Daí, chegamos a um marco na trilha da razão.

(5)  Eu sou razoável em aceitar que p.

Mas, isto é uma pequena parte da forma para a meta de conhecimento e sabedoria.[1] Ainda, a primeira milha é a mais importante, e eu persistirei um pouco aqui, para compreender esta conexão entre auto-confiabilidade e a vida da razão.

Há uma objeção ao meu argumento, mas não a primeira premissa, porque se eu nada aceito o problema da razoabilidade do que eu aceito nunca surge. E o que dizer sobre a segunda premissa. Também eu tenho dito que devo aceitar a segunda premissa, que sou digno de minha confiança concernente ao que eu aceito. Esta necessidade de aceitar minha própria confiabilidade parece ser um argumento do desespero. A menos que eu aceite minha própria confiabilidade, eu não posso responder as dúvidas céticas e minha situação está sem o remédio da razão. Mas, o que tem a haver que eu penso ser razoável para aceitar que a premissa (2) seja verdadeira? Eu tentaria justificar a premissa (2) com outras premissas, mas eu devo aceitar minha confiabilidade concernentes a estas premissas ou o argumento  é em vão. Pois, o que é o ponto difícil é prover alguma conclusão das premissas que eu aceito a menos que eu seja digno de minha confiabilidade com respeito a estas premissas? A tentativa de justificar a premissa (2) em detrimento das outras leva-nos a um regresso.

Outra alternativa para mim seria insistir que eu sou razoável em aceitar a premissa (2) como verdadeira sem qualquer razão ou explicação. A tentativa para justificar a premissa (2) pelo argumento parece levar a um regresso, mas insistir que eu sou razoável em aceitar a premissa (2) converte-se num tipo de surto da razão, algo que eu aceito mas, sou incapaz de dar explicação racional.

Eu estou preso entre o regresso e o surto? Não, não estou. Eu aceito a premissa (2), e consequentemente, a premissa (2) aplica-se a si mesma no argumento como exatamente dado acima. A variável p no argumento acima respondido pela premissa (2), o princípio de minha confiabilidade em si mesmo. A conclusão do argumento é, então, que eu sou razoável em aceitar que eu sou digno de minha confiabilidade concernente ao que eu aceito. Segue abaixo o argumento:

(1A) Eu aceito que sou digno de minha confiabilidade concernente ao que eu aceito.

(2A) Eu sou digno de minha confiabilidade concernente ao que eu aceito.

(3A) Eu sou digno de minha confiabilidade concernente a minha aceitação da premissa que sou digno de minha confiabilidade concernente ao que eu aceito.

(4A) Eu sou razoável em confiar na minha aceitação da tese que eu sou digno de minha confiabilidade concernente ao que eu aceito.

(5A) Eu sou razoável em aceitar que sou digno de minha confiabilidade concernente ao que eu aceito

A conclusão(5A) é a que é desejada.

Eu tenho realmente evitado o surto? Depois de tudo, eu tenho usado a premissa (2A) no argumento que chega a conclusão que sou razoável em aceitar (2A). Não leva-me a um surto inexplicável como a premissa (2A)? Não, pois a razoabilidade de aceitar minha confiabilidade não é inexplicável. Para estar seguro, o argumento não é uma prova da verdade da conclusão, especialmente para um cético das premissas, especialmente a premissa (2A). Mas, o argumento embora não seja uma prova que refutaria o cético, não explica minha razoabilidade em aceitar que eu sou confiável, pela simples razão que minha confiabilidade no que eu aceito explica porque eu sou confiável em aceitar minha confiabilidade. Se eu sou digno de minha confiabilidade no que eu aceito, isto explica porque eu sou digno de minha confiabilidade concernente a minha aceitação de ser digno de minha confiabilidade no que eu aceito, há várias coisas incluídas.

O ponto do argumento é a explicação da razoabilidade de aceitar que eu sou digno de minha confiabilidade concernente ao que eu aceito, ainda se eu não posso provar que o argumento está correto. A segunda premissa chave de ambos os argumentos, que recoloco

(A) Eu sou digno de minha confiabilidade concernente ao que eu aceito,

Aplica-se a aceitação de si mesmo. Isto explica minha confiabilidade e razoabilidade em aceitar (A). (A) é assim um tipo de fundamento da aceitação razoável no que a estrutura da aceitação razoável se apóia? Não, esta é uma metáfora incorreta. A razão é que outras coisas que eu aceito suportam e confirma a premissa (A). Quando eu considero as outras coisas que eu aceito, lembro que o que eu aceito constitue meu melhor esforço em aceitar o que é digno de se aceito como verdadeiro e evitar aceitar o que não é, eu concluo que eu sou digno de minha confiabilidade no que eu aceito.


[1] [N.T.]Entenda-se sabedoria no sentido de prudência.

ALÉM DE CRENÇA E DESEJO À ACEITAÇÃO E PREFERÊNCIA

novembro 27, 2010

Por

Keith Lehrer

em

Self-trust

Há muitas coisas que eu creio ou desejo que não são dignas de minha confiança. Crenças e desejos frenquentemente surgem caprichosamente e obstinadamente dentro de mim e contrariamente ao meu melhor julgamento. Não estou numa posição para dizer que todas as minhas crenças são dignos de minha confiança. Mas o que me faz digno de minha confiança é  minha capacidade para avaliar minhas crenças e desejos, e este é o papel da ascensão metamental. Isto é transcendente à uma vida da razão. Isto não é uma depreciação do sentimento, da crença e do desejo, pois eles nos suprem com informação para avaliar e nos são essencia. Mas eles diferem em sua dignidade e constancia de conflito. Eles são como um grupo de trabalhadores que apresentam-se a si mesmos para alguma tarefa, mas devem ser avaliados por suas destrezas e organizados por seus esforços.

A avaliação positiva da crença, eu tenho chamado aceitação, e a avaliação positiva do desejo, eu tenho chamado preferência. O objetivo da aceitação é aceitar algo se este é digno de aceitação como verdadeiro e evitar aceitar o que não é. O objetivo de preferencia é preferir o que tem mérito e evitar preferir o que não tem. Aceitação e preferencia representam nossos melhores esforços para aceitar o que é digno e preferir o que tem mérito, e cada um tem uma importante função no pensamento,inferencia e escolha. Tal status funcional é tipicamente a avaliação positiva de algo crido ou desejado, mas isso não é essencial para a sua natureza. Eu posso considerar algo que eu não creio, e avaliá-lo positivamente, produzindo aceitação dele. Crença não é automaticamente resultado, embora que em alguns casos será. Assuntos não faltarão para crer em coisas positivas sobre nós mesmos, que foram ditos num jogo experimental, ainda quando eles são ditos num debriefing oficial isso que eles dizem foi escolhido numa escolha fortuita e não na base de um fato. Os assuntos aceitos que tem sem razão para pensar o que eles disseram são verdadeiros, mas eles parecem continuar crendo em nenhum. Aqui crença e aceitação, a atitude de primeiro nível e a avaliação de segundo nivel dela, separada. Similarmente, se eu desejo algo, mas o avalio negativamente, assim prefiro algo mais, a preferência não será automaticamente carregar desejo com ela. Nossas avaliações de crença e desejo não mudam, automaticamente, o que cremos e desejamos, um tanto para nossa consternação, mas, talvez, em formas ocultadas, para nossa vantagem.

Aceitação é semelhante a julgamento reflexivo, e preferência à decisão reflexiva, mas eles não são a mesma coisa. Podemos aceitar algo, e racionalmente também, sem reflexão. Há casos em que temos um sistema de informação de fundo (background information) que nos é suficiente para aceitar e preferir sem reflexão, como quando eu aceito que algo é água que irá saciar minha sede e prefiro bebê-la. Avaliação positiva ocorre sem reflexão, quando reflexão seria otiose e levaria nosso intelecto à uma não mudança e atitudes práticas concernentes ao que aceitamos ou preferimos. Alguém pode pensar de aceitação e preferência como tipos de julgamentos intelectual e prático, embora tais julgamentos não precisam ser produto de deliberação e raciocínio.

CONSCIÊNCIA, AGREGAÇÃO E CONTEÚDO

novembro 3, 2010

Por

Keith Lehrer

em

Self-trust

Neste capitulo vamos considerar o papel da consciência na avaliação e agregação. Vamos considerar o conhecimento da consciência que nos advêm de nosso estado mental, incluindo aceitação e preferência. Vamos explicar nosso conhecimento do conteúdo destes estados. Vamos, então, voltar da agregação na mente para a agregação no cérebro, e o fecho do ciclo da pedra angular em torno da mente e do corpo, revelando a unidade de uma mente materializada e de um corpo materializado.

Consciência do conflito, do conflito de preferências, inicia o processo de agregação. Uma função da consciência é resolver o conflito por revelar-nos. Isto pode explicar o porquê, como Freud insistiu, conflitos estes que não podemos resolver, talvez porque também nos são dolorosos, tornam-se inacessíveis a consciência. Se a função da consciência é resolver conflitos, e resolução é impossível, por economia psíquica a consciência iria em direção a alguns conflitos mais tratáveis. Além disso, há sempre conflitos provendo focos para a consciência e demandando uma aplicação dela. Somos solucionadores de conflitos por natureza, e a consciente nos fornece conhecimento dos estados conflitantes. Certamente, consciência é falível, e quando se estende para além o próprio domínio da descoberta de nossos estados mentais provendo-nos uma explicação delas, ela estende-se em si mesma do domínio em que é confiável para um em que não é. Neste domínio próprio de reportar em vez de explicar, entretanto, ela permanece digna de nossa confiança.

Devemos, entretanto, explicar a confiabilidade da consciência e não meramente postulá-la. Como examinamos o papel da consciência no ciclo da pedra angular de nossa confiabilidade, vamos descobrir um ciclo na consciência em si mesma. Uma teoria da consciência é um componente essencial na teoria de nossa ascensão metamental além de crença e desejo, resolver conflito e chegar a conhecimento, sabedoria e autonomia. Podemos imaginar criaturas sem consciência capazes de processar ordem superior – computadores, por exemplo. Nossa ascensão metamental é efetivada pela consciência, entretanto. Conseqüentemente, para compreender nós mesmos, nosso conhecimento, nossa sabedoria, nossa autonomia, devemos compreender nossa consciência e o conhecimento que ela nos revela.

CONHECENDO QUE ALGUÉM CONHECE: REJEIÇÃO DO FECHAMENTO DEDUTIVO

novembro 2, 2010

Por

Keith Lehrer

em

Theory of Knowledge

Aqui permanece, certamente, a questão se eu sei que eu sei que vejo uma árvore quando não sei que as hipóteses céticas são falsas. Se eu sei que vejo uma arvore, então segue-se que as hipóteses céticas concernentes ao demônio e ao cérebro são falsas.Segue-se, primeiro de tudo, do fato de que se eu sei que vejo uma arvore, então eu vejo uma arvore,e, portanto, minha experiência não é um resultado de um feitiço do demônio ou de um computador. Segue-se mais, do meu conhecimento que eu vejo uma arvore que minha crença é originada de uma forma natural apropriada e não do demônio ou do cérebro. Em resumo, segue-se do fato conhecido e do que eu conheço do fato que as hipóteses céticas são falsas.

Alguns naturalistas em epistemologia negariam que eu sei que as hipóteses céticas são falsas ou que eu preciso saber isto para saber que eu sei que vejo uma arvore. Eles o fazem por negarem uma condição que eles chamam de fechamento dedutivo, a saber, a condição que se eu sei que p e que q é uma conseqüência lógica de saber que p, então, portanto, sei que q. Assim, eu poderia saber que p, e saber que q é uma conseqüência de saber que p, ainda que eu não saiba que q.(Nozick)

A negação do fechamento é diretamente relevante para responder ao cético. Eu poderia saber que eu vejo uma árvore, saber que a falsidade da hipótese do demônio é uma conseqüência lógica de minha visão da arvore, ainda que eu não saiba que a hipótese do demônio seja falsa. Se, entretanto, eu poderia saber que eu vejo uma árvore sem saber que a hipótese do demônio é falsa, então eu poderia também saber que vejo uma arvore sem saber que a hipótese do demônio é falsa? Na teoria naturalista, parece que podemos responder afirmativamente. Se eu posso saber algo sem conhecer que eu sei das conseqüências disto, então eu posso saber que eu sei algo sem conhecer que eu sei que conheço o que sei por ser as conseqüências do meu conhecimento disto.

A falsidade da hipótese do demônio é algo que eu sei ser uma conseqüência do meu conhecimento que vejo uma arvore, mas eu posso, no entanto,  saber que eu vejo uma arvore sem saber o que eu sei ser uma conseqüência do meu conhecimento dela,a falsidade da hipótese do demônio. Uma vez que negamos a condição de fechamento, podemos concordar com o cético que a falsidade da hipótese cética é uma condição necessária para que saibamos, embora agradavelmente admitindo que não sabemos que as hipóteses céticas são falsas.Tais são os deleites do naturalismo e a rejeição da condição de fechamento. Dado que a origem apropriada de uma crença converte-se para conhecimento, torna-se obvio que a condição de fechamento deve ser rejeitada. Minha crença verdadeira que eu vejo uma arvore pode ser originada de uma forma apropriada sem uma crença nas conseqüências lógicas de que a crença verdadeira originada de forma apropriada. De fato, eu poderia falhar em crer na verdade da conseqüência lógica. Poderia atingir isso como restante que uma pessoa saberia que vejo uma arvore, saber a falsidade das hipóteses céticas é uma conseqüência, e ainda falha para saber que as hipóteses céticas são falsas. O restante no olho do epistemólogo, entretanto, pois não há contradição lógica nesta posição.

CRENÇA E TRANSITIVIDADE

novembro 2, 2010

Por

Keith Lehrer

em

Self-trust

Quando há conflito entre uma crença e outras crenças ou entre um desejo e outros desejos, o papel da ascensão metamental e avaliação de ordem superior torna-se flagrante. Estamos então em face da resolução de conflitos de fatores encontrados no exemplo do vinho. Encontramos exemplos exatamente com a mesma estrutura lógica concernentes a crenças como temos considerados concernentes a desejos.Suponha que eu tenho uma balança e três objetos, A,B e C. Vejo que A e B são equivalentes no peso e que B e C são equivalentes no peso, pois eles se equilibraram entre si. Entretanto, eu vejo que A é mais pesado que C. Eu poderia aceitar todos os três bits de informação. A ascensão metamental produziria um número de alternativas com a mesma estrutura formal como no caso do vinho,e, nesta instancia, a estratégia natural para a maioria das pessoas seria centrar, isto é, aceitar que A é mais pesado que B, que B é mais pesado que C e que A é mais pesado do que C, ainda que esta estratégia envolva a rejeição de dois bits  da informação original. A razão para adotar esta estratégia, entretanto, é porque alguém aceita uma teoria de fundo implicando que há uma diferença oculta  entre A e B e entre B e C que explica a informação sensória. Esta teoria incorpora um princípio de ordem superior.

O apelo à uma estratégia de ordem superior é essencial porque a informação de primeira ordem deve ser insuficiente para resolver o conflito. Alguém poderia, naturalmente, resolver certo nível de conflito por encontrar um mais sensível dispositivo de medição, mas qualquer dispositivo de medição ou pelo menos um, uma medição mais além de diferenças não será notada. Há exatamente diferenças notáveis por dispositivos de medição bem como para nós. Assim a resolução última do conflito deve ser o resultado da ascendência metamental e da escolha autônoma de estratégias de nível superior.

Para compreender o papel da autonomia, considere primeiro o simplório exemplo do conflito, uma inconsistência mínima no conjunto de crenças, crença que p¹,crença que p², e crença que p³, tal que qualquer par de crenças é consistente. Como resolvemos o conflito? Ascendencia metamental revela quatro salientes estratégias com respeito ao objetivo  de conservar crença: a aceitação de p¹ e p², a aceitação de p² e p³, a aceitação de p¹ e de p³, ou a aceitação de todas três.

A última alternativa, a aceitação de um conjunto inconsistente, há a desvantagem da aceitação garantida de algo falso, mas há a vantagem de conservar a informação mais original. As outras três estratégias todas envolvem a rejeição de pelo menos algum primeiro nível de informação, mas permite a possibilidade, pelo menos, de aceitar somente verdades.Já confrontamos o papel da autonomia quando consideramos se é ou não digno aceitar todas as três crenças quando é impossível aceitar somente verdades. Mas o papel da autonomia torna mais aparente ao nível de métodos de aceitação e preferência, como vimos acima, e isto traz-nos ao ciclo da pedra angular numa nova forma.

Temos notado que o problema da resolução do conflito pode surgir de um nível superior concernentes aos princípios de resolução do conflito em si mesmos. Além disso, o apelo a tais princípios, por exemplo, aumento, centralização e redução, para resolver o conflito entre eles somos levados ao paradoxo. Não podemos contar com um principio para resolver o problema. Devemos exercitar nossa autonomia para resolver conflitos como este que surgem. Devemos em último lugar ter confiança em nós mesmos em vez de um princípio. É nossa confiabilidade na aceitação, preferência, e argumento que faz  resolução do conflito por um escolha autônoma razoável.

JUSTIFICAÇÃO E CONEXÃO DA VERDADE

outubro 16, 2010

Por

Keith Lehrer

em

Metaphilosophy,Vol. 34, No. 5, October 2003

Eu penso que o anterior é um argumento adequado para o principio de justificação de crenças perceptuais que evitaram o ceticismo. Chisholm partiu da posição de James, e penso que Reid também, rejeitar em comprometer as questões de verdade e justificação à um outro. Parece que Chisholm temeu, talvez acertadamente, que se as metas de obter verdade e evitar o erro determinam justificação, então, justificação será reduzida à conductivismo. Esse ataque a elas como um caminho que levaria à redução de justificação à uma base naturalista. Eu tenho argumentado que verdade em si mesma não é redutível à uma base naturalística e assim o temor foi injustificado. Entretanto, Chisholm bem poderia ter o pensamento que a redução de justificação a verdade, ainda se a ultima fora semanticamente irredutível, ainda privaria a justificação da característica normativa fundamental. Assim, ele insistiu que o objetivo fundamental da justificação fosse aceitar o que é razoável e evitar aceitar o que não é razoável.

O problema, como eu o vejo, é que o que é razoável para alguém aceitar por algum objetivo, dado algum prazer, por exemplo, poderia conflitar com o que é razoável aceitar por outro, evitar o erro, por exemplo. Alguns erros são muito agradáveis, estes são referentes à crença que o mérito de alguém é grandioso do que eles são, por exemplo, e razoável crer para esse propósito, mas não para o propósito de aceitar verdade na questão. Razoabilidade parece relativa à um objetivo. Além disso, justificação parece igualmente relativa, pois, novamente o que alguém está justificado em aceitar por prazer, poderia conflitar com o que alguém está justificado para aceitar, para obter verdade. Alguém poderia, é claro, considerar a questão do que é razoável aceitar de todas as coisas consideradas e, conseqüentemente, espero chegar à alguma consideração genérica de razoabilidade. Isso, entretanto, não parece ser a noção que está correta para o propósito de analisar a concepção de justificação necessitada como uma constituinte na analise de conhecimento. A razão é que haveria casos como esse da crença benevolente em que alguém está justificado em aceitar algo por um interesse em ser benevolente com alguém –– a quem ele é fiel –– a evidência que indica é falsa. Chisholm buscou analisar a evidência em termos da razoabilidade e assim ele precisaria evitar o emprego de uma noção de razoabilidade ou justificação de todas as coisas consideradas que gerariam o resultado que fosse razoável para uma pessoa aceitar algo, ou que uma pessoa estivesse justificada em aceitar algo, quando fosse evidente a pessoa que este algo fosse falso.

O simples ponto é que justificação que é uma constituinte de conhecimento não pode ignorar os objetivos de obter verdade e evitar o erro, porque o que é conhecido deve ser verdadeiro. Se justificação não está conectada com verdade, então adicionar evidência à verdade e à aceitação poderia levar à uma questão de sorte do que alguém aceitou  ser verdadeiro. Se justificação não está conectada com verdade, então adicionar justificação à verdade e aceitação, não exclui que aceitar algo que se apresenta verdadeiro é exatamente uma questão de sorte. Justificação deve ser uma conexão de verdade. Eu não estou certo de como Chisholm teria respondido a esta objeção, embora esteja certo que ele teria algo proveitoso para dizer.

O que eu desejo notar, entretanto, é que precisamente esta linha de pensamento que me leva do fundacionismo à teoria coerentista de justificação, e Chisholm via este como um resultado possível. Pois estava claro que a razão que ele argumentou em Perceiving que uma subclasse de crenças perceptuais, a saber, estas referentes às características sensíveis, fossem justificadas em si mesmas e estas crenças fossem raramente falsas, isto é, menos provável cair em erro do que mais arriscado do que crenças perceptuais, como perceber Marte, por exemplo. Chisholm não toma para si mesmo este apelo a idéia que tais crenças fossem raramente falsas, porque ele notou que um tal argumento levaria à um circulo. Concordo que levaria. Mas, parece-me que nosso reconhecimento do fator de segurança do erro em tais crenças explique o porque de nos colocarmos ao lado de Chisholm com relação a tais crenças como justificadas.

Eu partilho das formas com Chisholm neste ponto e concluo que algum sistema de fundo de coisas que aceitamos como o objetivo de aceitar o que é verdadeiro e evitar o que é falso prover-nos com a justificação. Sem levar em detalhes minha própria visão, é uma visão sistemática do que aceitamos e porque aceitamos o que nos provê uma teoria do porque é seguro aceitar algumas coisas em vez de outras, incluindo crenças sobre as características sensíveis. Aceitamos que tais crenças surgem de tal forma que as faz muito improvável que estejam em erro. Assim, ironicamente, é a rigorosa razoabilidade interna de Chisholm que me leva à uma visão oposta. Num certo ponto, tomando a posição de um fundacionista sobre justificação, Chisholm perguntou o porque de nossas crenças fundacionais serem justificadas, e sua resposta foi que elas são proposições do tipo: “ Estou pensando que sou um Albuquerque” que uma pessoa pode simplesmente justificar por reiterá-la. Isto me pareceu a equivaler a responder a questão do porque estou justificado por dizer: “ Eu de fato estou”. Mas, fui convencido que a resposta certa foi que tais crenças são muito improváveis para serem falsas e que a justificação assim provida gera o desejo da verdade como conexão.

A subseqüente discussão filosófica sugerida por mim, que foi uma forma de resolver o conflito entre a perspectiva fundacionista que diz que as crenças básicas são justificadas exatamente por reiterar o que é crido e a teoria coerentista que diz, em vez disso, que elas são justificadas porque estes tipos de crenças nos levarão à verdade. A resolução do conflito pode ser arquivada pela distinção entre o argumento que gera justificação e o argumento que explica justificação. Suponha como sustenta Reid e Chisholm, que algumas crenças perceptuais concernentes ao mundo externo tem alguma justificação intrínseca que não deriva de um argumento. Reid sustentou essa visão e adicionou a informação que tais crenças fossem como bem justificadas intrinsecamente que elas não seriam mais bem justificadas por argumentação, porque elas seriam  maximamente justificadas intrinsecamente. Ele observa, entretanto, que tais crenças são o produto de faculdades que não são falaciosas, isto é, são confiáveis e que não nos leva ao erro. Agora, eu penso que Chisholm foi igualmente convencido disso, que nossas faculdades não são falaciosas, mas ele não quis afirmar que esta fosse a fonte da justificação das crenças, por duas razões já notadas. Primeiro, ele pensa que argumentar desta forma seria argumentar em círculo, desde que já se precisaria saber que crenças perceptuais em questão fossem verdadeiras, pelo menos com elevadas freqüência, para confirmar que a faculdade que as produz não fosse falaciosa. Segundo, ele pensou que a questão era de valor, uma questão normativa acerca do que é razoável, que não fosse redutível ao sucesso em reagir a verdade.

ACEITAÇÃO

outubro 12, 2010

Por

Keith Lehrer

em

Self-trust

O que é o estado de aceitação? É um estado que tem certo papel funcional no argumento, no pensamento e na ação. O papel é o que tipicamente surge do julgamento refletivo de algo que é o caso, mas pode surgir do processamento defeituoso de informação em vez da reflexão consciente. Posso reflexivamente julgar que a porta está aberta e aceitar como resultado que a porta está aberta. Ou, posso ver que a porta está aberta, e aceito irrefletidamente que a porta está aberta. As conseqüências do que eu penso, infere-se, que não serão as mesmas que levam ao caminho da aceitação.

Quando a informação que recebo e nestas condições minimamente creio, não produz conflito, aceito a informação, aceito que eu creio. Neste simples caso, aqui pode ser uma correspondência entre crença e aceitação. No caso do conflito, a ascendência metamental será normalmente resultado da rejeição da informação ou crença de primeira-ordem para resolver o conflito, a consideração de alternativas além do que eu creio, e isto quebrará a correspondência entre o que eu cri e o que eu aceitei. Se aceitação resulta do processo rotineiro de crença de primeira-ordem ou os mais complicados procedimentos da resolução do conflito, aceitação é um estado metamental produzido por uma avaliação de ordem elevada, se rotineira ou reflexiva.

EM QUE SENTIDO A TEORIA DE LEHRER É UMA TEORIA COERENTISTA?

outubro 2, 2010

Por

Erik J. Olsson

em

The epistemology of Keith Lehrer

O que tem sido dito de modo sucinto é a seguinte questão: em que sentido, se há algum, a teoria de Lehrer é uma teoria coerentista, como é afirmado por Lehrer (pelo menos em parte)? Se alguém toma isso como essencial, tal que uma teoria faz uso do conceito de coerência sistemática ou global, então a teoria de Lehrer é claramente uma teoria não coerentista. Na visão de Lehrer, “ coerência não é um aspecto global do sistema”. Antes, o que ele chama coerência, como vimos, é uma relação entre um sistema de avaliação e uma proposição. Esta relação, além disso, “não depende de aspectos globais do sistema”. Não obstante isto, Lehrer diz que o conteúdo do sistema de aceitação deve ser logicamente consistente, assim referindo-se à aspectos globais de consistência. Lehrer também acrescentou a questão da consistência no seu artigo “ Reason and Consistency”, reimpresso como capítulo 6 em Metamind. O modelo de consistência é uma epistemologia internalista que é explorada pela contribuição de Volker Halbach neste volume.

Quais razões há, então, para chamar essa relação, que vai de encontro as objeções dadas relativas à um sistema de avaliação com um sistema de relação de coerência? Como eu compreendo Lehrer, esta relação de “ encaixe”, em vez de dizer , que é uma relação de “ inferência de”. Ele escreve, na edição de 1990 do TK: “ se é mais razoável para mim aceitar algo do que afirmar um [severo] conflito que outros na base do meu sistema de aceitação, então esta afirmação se encaixa melhor ou coere melhor com meu sistema de aceitação”(p.116). Ele também defende que: “uma crença pode estar completamente justificada para uma pessoa por causa de alguma relação da crença com um sistema que ela pertence, a maneira da coerência com o sistema, exatamente como o nariz pode ser bonito por causa de alguma relação do nariz com a face, a maneira que se encaixa com a face”(p.88). Lehrer está aqui afirmando que as declarações de coerência com um sistema é análogo a um nariz que se encaixa numa face.

Entretanto, como tenho argumentado em outro lugar (Olsson,1999), esta analogia é incompatível com a argumentação de Lehrer que o coerentismo não depende de aspectos globais de um sistema. Pois, quando dizemos que o nariz de encaixa na face, pretendemos combinar as duas coisas para que produza um lindo resultado geral, assim como o nariz se encaixa na face em virtude das propriedades globais subjacentes de beleza. Se coerir é análogo a se encaixar, como Lehrer propõe, então a declaração de coerência com um sistema, se combinada, os dois produzem um resultado global, assim a declaração se encaixa com o sistema em virtude das propriedades globais subjacentes da coerência. Isto, novamente, confronta com a declaração de Lehrer que coerência não depende de aspectos globais do sistema.

Assim a relação de coerência com um sistema de avaliação tem pouco a ver com a coerência assim chamada, sendo mais próximo à inferência. Contudo, as mais recentes idéias de Lehrer sobre confiabilidade são indiscutivelmente suficientes para transformar sua teoria em uma teoria coerentista depois de tudo. Como temos observado, há uma circularidade envolvida no argumento da minha aceitação de minha confiabilidade à razoabilidade da minha própria aceitação. E um aspecto saliente da teoria coerentista é presumivelmente esta licença da razão circular – pelo menos é a forma mais popular de caracterizar tal teoria.

COERÊNCIA E SUPERVENIÊNCIA

setembro 28, 2010

Por

Keith Lehrer

em

Self-trust

Desejo tomar o segundo tentáculo do dilema. Eu tenho definido coerência em termos de uma noção comparativa de razoabilidade, a saber, que é mais razoável para uma pessoa aceitar algo em vez de outro, na base do sistema de avaliação da pessoa, e, portanto, não estou comprometido a sustentar que a justificação é superveniente à qualquer propriedade não-epistêmica.  A noção de razoabilidade comparativa baseada num sistema que é uma noção epistêmica, não uma noção naturalizada. Em síntese, é uma teoria coerentista que está aberta ao argumento que coerência é uma noção epistêmica em si mesma, e, portanto, rejeitar algum princípio da forma de (C) como acima é matafisicamente necessário. Poder-se-ia argumentar que não há um principio de superveniência epistêmico e não-epistêmico. Não há ciclo epistêmico.

Um motivo central para defender uma teoria coerentista é precisamente a rejeição das teses de superveniência. Não é o caso que a teoria coerentista rejeita as teses depois de perceber que aceitação deixa-os com um principio que é básico como os princípios de crenças básicas como na teoria fundacionista. É que a teoria coerentista percebe que qualquer um de nós deve aceitar algum principio de superveniência sem explicação, ou vamos em ultimo caso apelar ao sistema de crenças para a justificação de alguma crença, e assim,finalmente fechar o ciclo. Eu, como teórico coerentista,escolho a segunda alternativa. O anseio do teórico coerentista, embora não somente do teórico coerentista, é que a conexão de princípios não-epistêmicos com princípios epistêmicos não são necessários, mas contingentes. Sosa formula esta doutrina dizendo que a epistemologia é autônoma dos princípios não epistêmicos e por isso não superveniente. Eu prefiro dizer que a epistemologia é metafisicamente independente dos princípios não epistêmicos para preservar a noção de autonomia para outros propósitos. É o ótimo mérito de Van Cleve, Alston, e Sosa que nos demonstraram por que a teoria coerentista deveria aceitar as teses independentes.

COERENTISMO DE LEHRER

setembro 23, 2010

Por

Paul K. Moser

em

The current state of the coherence theory: critical essays on the epistemic theories of Keith Lehrer and Laurence BonJour, with replies

O coerentismo epistêmico, posto de forma simples, é a visão de que a justificação epistêmica de qualquer proposição, p, para uma pessoa, S, está na função de coerência de p relacionando-se com outras proposições, tais como outras proposições cridas ou aceitas por S. A própria declaração do coerentismo geral de Lehrer, basicamente, concorda com esta caracterização:

De acordo com a teoria coerentista,… uma crença está justificada, se e somente se, coere com outras crenças num sistema específico de crenças… . A teoria coerentista poderia ser renomeada para teoria da relação, pois a concepção fundamental é que alguma relação entre crenças é que determina se uma crenças está justificada ou não.

Na mais recente roupagem, o coerentismo de Lehrer foca no “sistema de aceitação” de alguém, em vez do sistema de crença de alguém; por aceitação, é tida uma ação em vez de um estado, parece ser mais facilmente controlado do que crença, e parece ser essencialmente relativo à um propósito, tal como o propósito epistemicamente relevante de obter verdade e evitar o erro.

Um distintivo deste coerentismo de Lehrer é que justificação epistêmica está baseada na missão probabilisticamente subjetiva de alguém, quando este somente tem a meta de obter verdade e evitar o erro. Em oposição a certas versões de fundacionismo, Lehrer nega que justificação deriva de crenças não perceptuais e de experiências sensórias. Em vez disso, ele sustenta que toda justificação epistêmica tem somente a função de relações de coerência entre proposições concernentes ao que alguém aceita. As duas questões básicas para o coerentismo de Lehrer são estas: que tipo de sistema de aceitação forma a base de toda justificação, e o que é exatamente relação de coerência? Lehrer proveu resposta a ambas as questões, e elas agora demandam nossa atenção. Focarei significativamente na mais recente e detalhada declaração de sua teoria (1986). A teoria de Lehrer em 1988 não é relativamente diferente, pelo menos para os propósitos deste artigo e do Lehrer (1986).

Um sistema de aceitação de uma pessoa é um jogo de proposições tendo a forma “S aceita que p”, “S aceita que q”, etc. O sistema de aceitação de alguém é definido não pelas proposições que ele aceita, mas pelas proposições no estado em que ele aceita as várias proposições que ele atualmente aceita. Há, entretanto, uma importante qualificação: o sistema de aceitação de alguém descreve apenas a aceitação das proposições que ele aceita “na tentativa para aceitar algo verdadeiro e evitar aceitar o que é falso com respeito a exatamente a coisa que ele aceita”. É assim que Lehrer trata com o sistema epistemicamente motivado do sistema de aceitação, isto é, o sistema de aceitação resulta da afirmação de alguém que adquire verdade e evita o erro.