Archive for the ‘Memória’ Category

CETICISMO SOBRE A MEMÓRIA

março 19, 2011

Por

Claudio Costa

em

COSTA, Claudio. Uma introdução contemporânea à filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2002. p.177-181

Há algumas objeções céticas a respeito da confiabilidade da memória que vale a pena considerar. A primeira é uma versão da objeção cética standard contra nossas pretensões de conhecimento. Trata-se da objeção de que, se a, memória falha em nos prover de uma garantia de que aquilo que parecemos recordar é verdadeiro, então não é razoável confiarmos nela.

De fato, em um sentido absoluto tal garantia não existe. Entretanto, esse argumento contém uma premissa oculta: a de que uma crença, para ser razoável, deve ter uma razão justificacional capaz de garantir a sua verdade. Mas essa herança absolutista, reminiscente da tentativa platônica de identificar os standards do conhecimento empírico com os do conhecimento matemático, é algo que, como já vimos, não precisa ser aceito.

Uma segunda objeção cética é a de que a veridicidade mnêmica só pode ser confirmada através de argumentos que recorram a outras memórias, não sendo possível confirmar a validade de nossas recordações na independência disso; por conseguinte, a confirmação de nossas recordações é, ao fim e ao cabo, circular. Com efeito, se for necessário confirmara minha recordação de ter comparecido à reunião do Departamento na última segunda-feira, isso pode ser possível se outras pessoas que lá estiveram forem interrogadas; se elas responderem que me viram lá, isso confirmará minha recordação. Contudo, elas só poderão apresentar essa confirmação recorrendo às suas próprias memórias, que poderão ser por sua vez questionadas… .Pode ser que eu tenha assinado algum papel, ou que, digamos, a reunião tenha sido gravada e que a minha voz tenha aparecido na fita. Mas será necessário então que outras pessoas se lembrem de os papeis terem sido assinados, de terem gravado a reunião, de como soa a minha voz etc. Assim, em algum ponto da confirmação recorremos sempre à memória… . Uma resposta plausível para essa objeção seria coerencial: a veracidade de nossa memória não envolve somente a aplicação do critério contextual de veridicidade mnêmica anteriormente proposto, mas para além dele, envolve a sua virtual confirmação interpessoal através de sua coerência com as memórias de outras pessoas e com confirmações empíricas, como estados de coisas deixados por eventos passados recordados.

Finalmente, um argumento cético similar ao referido o capitulo 4 pode ser repetido. Considere primeiro o seguinte modus ponens:

(A)

1 Sei que a Revolução Sovietica se deu em 1917.

2 Se sei que a Revolução Soviética se deu em 1917, então sei que o mundo existia , mais de 5 minutos atrás.

Logo, sei que o mundo existia há mais de 5 minutos.

 

O argumento parece fazer sentido. Mas o cético está livre para seguir o caminho inverso, começando por duvidar da conclusão. Suponhamos, como fez Bertrand Russel, que o mundo foi criado cinco minutos atrás, e nós dentro dele, com todas as nossas memórias de um passado que na verdade nunca existiu. Essa hipótese é estranha, mas logicamente possível. Não temos evidências contra ela, não podendo, portanto, saber que ela é falsa. Ora, se é assim, então não podemos saber se é verdade que o mundo existia há mais de cinco minutos. Isso torna possível ao cético produzir o seguinte modus tollens:

(B)

1 Se sei que a Revolução Soviética se deu em 1917, então sei que o mundo existia há mais de 5 minutos.

2 Não sei se o mundo existia há mais de 5 minutos.

Logo, não sei se a Revolução Soviética se deu em 1917.

Com efeito, se não posso saber que o mundo existia há mais de 5 minutos, então não só não posso saber que a Revolução Soviética se deu em 1917, mas não posso saber de mais nada do que teria ocorrido antes disso!

A resposta que quero sugerir para esse argumento cético segue as mesmas linhas da resposta sugerida para o argumento cético (B) no capitulo 4 (seção 2). Mas, antes de apresentá-la, quero reformular o argumento (B) de modo que revele todo o alcance da dúvida cética. Colocando x no lugar da descrição de qualquer evento, podemos construir o seguinte argumento cético:

(C)

1 Se sei que x ocorreu no passado, então sei que existiu o passado antes do presente.

2 Não sei se existiu o passado antes do presente.

Logo, não sei se x ocorreu no passado.

Penso ser possível demonstrar que esse argumento é inválido mostrando que nele a afirmação de que existiu um passado antes do presente é ambígua, possuindo sentidos diversos na primeira e segunda premissas, e que isso se deve a dois sentidos diversos do conceito de existência. Há, primeiro, um sentido inerente da palavra “existir”, que é relativo à aplicação dos critérios de existência passada sob o pressuposto da aceitação do sistema estruturador de crenças acerca da história do mundo em que vivemos. Que existiu um passado antes do presente é algo que ao menos neste sentido depende posso afirmar que sei, mesmo que se venha a provar que na verdade não existiu passado algum antes do presente. Mas há também um sentido aderente da palavra “existência”, que temos em mente quando dizemos que em última instância não podemos realmente saber se existiu um passado antes do presente, posto que é logicamente possível que venhamos a descobrir que aquilo que consideramos passado é meramente ilusório, no caso em que nosso sistema estruturador de crenças acerca da história do mundo venha a perder a sua validade ao ser contrastado com algum sistema que passamos a ter por verdadeiro.

Aplicando essa distinção ao argumento (C) vemos que o sentido da palavra “existência” na segunda premissa é aderente, enquanto o sentido da palavra “existência” no conseqüente da primeira premissa é inerente, visto que é só sob a admissão da validade de nosso sistema de crenças atual acerca da história que posso concluir, de minha memória de algo ocorrente no passado, que existiu um passado antes do presente. Assim, o argumento (C) é inválido, posto que equívoco.

O mesmo se aplica ao argumento (B), que deve ser entendido como uma forma entimemática do seguinte argumento:

(D)

1 Se sei que a Revolução Soviética se deu em 1917, então sei que existiu um passado antes do presente.

2 Se sei que existiu um passado antes do presente, então sei que o mundo existia há mais de 5 minutos.

3 Não sei se o mundo existia há mais de 5 minutos.

Logo, não sei se a Revolução Soviética se deu em 1917.

O sentido do conceito de existência na primeira premissa é entendido como inerente, posto que relativo à admissão de nosso atual sistema estruturador de nossas crenças acerca da história do mundo, o mesmo se dando com o sentido do conceito de existência na segunda premissa, caso queiramos aplicar coerentemente a ambas premissas a regra do silogismo hipotético. Mas o uso do conceito de existência na terceira premissa é aderente: nesse sentido a existência não pode ser realmente sabida. (Posso, contudo, ser levado à resolução de aceitar um outro sistema de crenças sobre o passado, dentro do qual nego a existência do mundo há mais de 5 minutos.) Como conseqüência desse uso equívoco do conceito de existência, não é possível aplicar o modus tollens à terceira e à segunda premissas de modo que se chegue à conclusão cética, e o argumento é equívoco.

PLANTINGA E A FENOMENOLOGIA DA MEMÓRIA

fevereiro 14, 2011

Publicado em externalismo.blogspot.com

Warrant and proper function. New York e Oxford: Oxford University Press.
Este resumo trata apenas de um pequeno trecho sobre memória entre as páginas 57 e 64 no qual Plantinga trata da fenomenologia da memória e do caráter básico das crenças oriundas da memória.

Como já dizia o sensato Aristóteles, a memória é sobre o passado.[1] Mas a sensatez de tal afirmação não é suficiente para deixarmos de ficar intrigados com a memória. Afinal de contas, como a memória pode ser sobre o passado? Ok, traços das coisas percebidas ficam impressos no nosso cérebro, assim como grafites ficam impressos nas paredes. Todavia, as paredes não lembram (a não ser em um sentido metafórico de ‘lembrar’), mas nós sim (p. 57).

Eis os três principais aspectos da fenomenologia da memória:
1. A memória apresenta-se como intencionalidade. A lembrança de determinada coisa é lembrança que se apresenta como dessa coisa (p. 59). Lembrar não é como ver fotos antigas e não reconhecer quem está na foto. Ao contrário, é reconhecer determinada coisa. Tal reconhecimento está sujeito aos ‘pecados’ da memória,[2] sendo os mais relevantes a atribuição errada e a distorção.

2. A memória apresenta-se como sendo do passado (p. 59). Caso não se apresenta-se como sendo do passado, não seria memória, mas sim alucinação.

3. A memória apresenta-se como memória, e não como informação oriunda do testemunho (p. 59). Acho que aqui Plantinga não conta toda a história, pois acontece, como nos dizem os psicólogos, neurobiólogos e George Orwell,[3] de uma pessoa tomar uma informação oriunda do testemunho por uma lembrança legítima. Talvez lembranças sejam sempre reconhecidas como lembranças, mas vez que outra lembranças falsas são reconhecidas como lembranças legítimas.

Levando em conta tais aspectos, é interessante o caso da replicante Rachel, no filme Blade Runner. Ela tem lembranças de certas coisas, tais lembranças se apresantam como sendo do passado, e se apresentam como lembranças. Mas não são lembranças, são ‘implantes’.

Memórias são básicas, no sentido de não apoiadas em evidências. A memória não é como a indução: não lembro do sol nascer pela manhã de tanto ver tal coisa. Ao contrário: a lembrança do evento recorrente é o fundamento da indução.[4] Eu simplesmente lembro de tal coisa. Isso não significa que a memória não possa ser corrigida. Ela é básica, mas corrigível (p. 61).

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[1] Aristóteles, De memoria et reminiscentia, 449a15.
[2] Ver Schacter, Os sete pecados da memória.
[3] Em A revolução dos bichos e 1984.
[4] É o ponto de Burge em “Content preservation”: a memória é fundamental para o raciocínio.

QUINZE TESES DE REID SOBRE A MEMÓRIA

janeiro 17, 2011

Publicado em externalismo.blogspot.com

1 – Pela memória temos conhecimento imediato das coisas passadas (Ensaios 3.1).
2 – A memória preserva informações colhidas pelos sentidos no presente (Ensaios 3.1).
3 – Se a memória não preservasse tais informações, a desconheceríamos, como se nunca houvessem existido (Ensaios 3.1).
4 – A memória deve ter um objeto (Ensaios 3.1).
5 – Todo homem é capaz de distinguir a coisa lembrada da sua lembrança (Ensaios 3.1).
6 – O objeto da memória deve ser algo passado (Ensaios 3.1).
7 – A memória sempre é acompanhada da crença no que é lembrado (Ensaios 3.1).
8 – O fundamento da crença é a distinção da lembrança (Ensaios 3.1).
9 – Temos conhecimento real do que lembramos distintamente (Ensaios 3.1).
10 – Ninguém questionaria tal conhecimento real (Ensaios 3.1).
11 – A memória pode falhar quando é menos distinta e determinada, mas isso não diminui seu crédito quando é distinta (Ensaios 3.1).
12 – A memória implica uma concepção e uma opinião sobre durações passadas (Ensaios 3.1).
13 – Seria impossível adquirir uma concepção da duração sem a memória (Ensaios 3.1).
14 – Para lembrar agora é preciso ter percebido no passado (Ensaios 3.1).
15 – Essas teses se apóiam na reflexão de cada um (Ensaios 3.1).

O ARGUMENTO DA MEMÓRIA

julho 8, 2010

Por

Ricardo Rangel Guimarães

[Dissertação apresentada como requisito para a obtenção do grau de Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Sob a orientação do Prof. Dr. Cláudio Gonçalves de Almeida]

A fim de abordarmos a lembrança sem crença e sem conhecimento, seria conveniente retomar o argumento da memória de Peter Ludlow revisitado por Paul Boghossian, e discutir a posição de Sven Bernecker sobre o mesmo. Segundo Ludlow, o argumento da memória pode ser analisado da seguinte maneira:

(1) Se S não esquece nada, então tudo o que S sabe em t1 ele sabe em t2.
(2) S não esquece nada.
(3) S não sabe que P em t2.
(4) Logo, S não sabe que P em t1.

Segundo Sven Bernecker, este argumento da memória se apoiaria em três pressupostos básicos, a saber: em primeiro lugar, o conteúdo da memória seria fixado pelas condições ambientais e externas do passado, quando o mesmo foi adquirido, e não no presente, quando a memória é evocada. O segundo pressuposto é que uma ‘mudança não informada de ambiente’ (slow-switching), como, por exemplo, da Terra para a Terra-Gêmea, levaria o sujeito a ‘perder’ seus conceitos antigos, adquiridos no passado, passando a adquirir conceitos novos, e o terceiro, que é o que de fato mais interessa aqui em nosso contexto, é que a lembrança envolveria conhecimento, lembrar é conhecer. Mas para Bernecker, o primeiro destes pressupostos seria razoável, o segundo questionável (ao contrário de Ludlow, por exemplo, que na sua variedade de externalismo social, em detrimento do externalismo semântico defendido por Sven Bernecker, admite a slow-switching permanente, uma constante mudança conceitual do conteúdo mental relativa ao ambiente de deferimento), e o terceiro falso, ou seja, lembrar não implicaria necessariamente em conhecer.

Sem entrar no mérito da questão do conteúdo mental, e concentrando-se na questão epistemológica apenas, o argumento da memória de Ludlow apóia-se na tese de que lembrar é uma forma de conhecer, a lembrança seria uma ‘forma’ de conhecimento. A teoria padrão é a teoria epistemológica da memória (TEM), que busca evidência pela primeira premissa do argumento da memória, a saber, se S não esquece que P, então S sabe que P, sendo P um caso de conhecimento: isso só poderia ser o caso se lembrar for uma maneira de conhecer. Esta TEM, tão referida e objeto de análise aqui, que condiciona diretamente a lembrança com o conhecimento, é aceita, por exemplo, só para citar alguns nomes importantes, por filósofos do porte de Robert Audi, já referido e que será objeto constante de análise neste contexto, Michael Dummett, Gareth Evans, Norman Malcolm e Timothy Williamson, dentre outros, mas é rejeitada por Sven Bernecker, que ao contrário de conceber epistemicamente a memória como retenção de conhecimentos na mente, concebe a mesma como retenção de representações, como tem se insistido neste horizonte de pesquisa.

Uma das principais razões para esta rejeição é que Bernecker admite a possibilidade do conteúdo da memória ser representacional ou mera crença, e não conhecimento; assim, nesse caso nem toda lembrança teria o caráter, o estatuto de ser conhecimento. De acordo com a TEM, esta, a memória, seria conhecimento retido na mente. Se tomarmos e aceitarmos a visão canônica de conhecimento como crença verdadeira justificada, excluindo os casos de tipo Gettier, que requereriam a tal quarta condição para garantir a suficiência do caráter epistêmico de tais casos, isso significa que a lembrança de P em t2 no argumento da memória precisaria satisfazer algumas condições para tanto, a saber:

a) P deve ter sido verdadeiro no tempo t1;
b) S teve uma crença que P em t1;
c) S estava justificado em t1 a crer que P;
d) P é verdadeiro em t2;
e) S crê que P em t2;
f) S está justificado em t2 a crer que P.

Na TEM, todas as condições acima devem ser satisfeitas para haver memória. Para Bernecker, é possível haver memória sem a necessidade de crença ou de justificação, ou seja, ele aceita a primeira e a quarta condições ( a) e d), respectivamente), e recusa todas as outras. Os casos de defeated justification, de derrota da justificação que serão dados pelos contraexemplos que serão apresentados no curso de desenvolvimento desta pesquisa, bem como da não necessidade de haver crença memorial no processo da lembrança proposicional, ilustram este ponto e estes tópicos: contudo, tais análises serão realizadas e discutidas nas seções subsequentes. Levando-se em conta o fracasso da TEM, Sven Bernecker reformula o argumento da memória apresentado anteriormente, refinando-o e redefinindo-o da seguinte forma:

(1) Se S não esquece nada, então o que S representa em t1, S pode representar em t2.
(2) S não esquece nada.
(3) S não pode representar P em t2.
(4) Logo, S não representa P em t1.

No argumento da memória original, aquilo que não pode ser conhecido no futuro, não pode ser conhecido no presente: isto significaria, em termos gerais, ‘jogar’ a possibilidade para o futuro das crenças que o agente epistêmico tinha no passado, pois é potencialmente possível ‘perder’, ‘extraviar’ crença, justificação e mesmo conhecimento no futuro em relação
às crenças, justificação e conhecimento do passado. Neste argumento refinado de Bernecker, aquilo que não pode ser representado no futuro não pode ser representado no presente, e assim como o argumento da memória original, este refinado é nocivo ao externalismo, por exemplo, pois possui uma crítica implícita e tácita à teoria da causação das representações na mente como conteúdo da memória, em que se S não representa P nem no tempo passado, t1, e nem no presente, t2, não haveria uma relação causal dos objetos externos com a mente, inexistindo com isso as representações mentais dos mesmos e a sua possível evocação através do expediente memorial, e a preservação do conteúdo mental entre t1 e t2.

Sven Bernecker distingue duas concepções diferentes acerca da noção de esquecimento que fazem parte do senso comum, a saber, um esquecimento do sujeito em sentido amplo e irrestrito, uma falha cognitiva na memória causada por qualquer razão que seja, estando ou não no controle do sujeito em questão, e o esquecimento estrito, uma falha de memória na qual o sujeito é o responsável por tanto. Na premissa (1) do argumento refinado, esta noção de esquecimento amplo está suposta, pois se S não tem nenhum tipo de esquecimento, então ele pode representar em t2 o que representou em t1. Em relação ao conteúdo mental, o argumento apóia-se em uma noção equívoca de esquecimento, pois a mudança de ambiente (slow-switching) leva em conta o esquecimento no sentido amplo, e não estrito: se a perspectiva externalista fosse adotada, essas mudanças de ambiente poderiam privar-nos das nossas próprias lembranças, abandonando com isso a concepção de autonomia de uma memória individual, e passando a se adotar uma espécie de memória coletiva. Este, contudo, é um problema que não será tratado nem interessa diretamente aqui, haja vista ser um tema mais pertinente à filosofia da mente e a análise do conteúdo mental do que a epistemologia da memória propriamente dita.

A mudança lenta leva ao esquecimento no sentido amplo, numa crítica ao argumento da memória já realizada, por exemplo, por Brueckner. No final da seção 5 de Memory and Externalism, intitulada justamente ‘lembrando sem conhecer’ (remembering without knowing), Sven Bernecker diz textualmente que a memória, ao contrário do conhecimento, não implica em justificação, e que a mesma, memória, pode ser mera representação ou crença, mas não conhecimento. De posse destes elementos importantes acerca do argumento da memória revisitado por Sven Bernecker, passaremos a analisar agora, a partir da próxima seção, a sua concepção de memória proposicional e o aspecto epistemológico que atribui ou não a esta. Tais considerações são de suma importância para o tratamento global e específico da sua tese central da lembrança sem conhecimento.

LA MEMORIA COMO FUENTE DE CONOCIMIENTO

dezembro 22, 2009

Cuando nosotros somos cuestionados si conocemos alguna cosa, habitualmente apelamos a nuestra memoria. Cuando nos hacen preguntas acerca de nuestra niñez, nosotros recurrimos a la memoria, pues nuestras cosas de niñez no son confirmadas, satisfactoriamente, por otros medios.

Algunos de nuestros conocimientos están basados en la memoria, que si no fuera por ella, nosotros no tendríamos ningún otro fundamento. Por ejemplo, cuando alguien nos pregunta donde se queda el punto de autobús, nosotros contestamos basados en nuestra memoria, y por ello, sabemos donde se queda el punto de autobús, no hay en aquel momento otro fundamento.

Sin embargo, hay, por lo menos, dos problemas con la memoria. El primer, es que puede ocurrir una identificación incorrecta del sujeto, o sea, podemos pensar que algo ocurrió conozco, pero en la realidad ocurrió con alguien muy cerca de nosotros.

El otro problema, es la identificación incorrecta del objeto, o sea, podemos nos quedar equivocados acerca del objeto de nuestra memoria. Sin hablar que nuestra memoria es falible.

La memoria es vulnerable a las informaciones erradas, después del acontecimiento. Todas estas cosas pueden llevar a una imprecisión en las informaciones que afirmamos conocer basados en nuestra memoria.